SEMEANDO SEMPRE

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sábado, 28 de janeiro de 2017

“SHEKINAH” E “METRATON”

Fonte: René Guénon em “O Rei do Mundo”, Editorial Minerva, Portugal
tradução: Edmundo Motrena

Alguns espíritos tímidos e cuja compreensão se encontra estranhamente limitada por idéias preconcebidas, assustaram-se com a designação de “Rei do Mundo”, que aproximaram da de “Princeps Hujus Mundi”, de que se trata no Evangelho. É sabido que tal assimilação é completamente errônea e desprovida de fundamento. Para afastá-la, poderíamos limitar-nos a notar simplesmente que este título de “Rei do Mundo”, em hebreu e em árabe, é aplicado vulgarmente ao próprio Deus. No entanto, como pode haver aqui algumas observações interessantes, consideremos a este propósito as teorias da Qabalah hebraica relativas aos “intermediários celestes”, teorias que, por outro lado, tem uma relação direta com o tema principal do presente estudo.

Os “intermediários celestes”, de que se trata aqui, são a “Shekinah” e “Metraton”. E diremos em primeiro lugar que, no sentido mais geral, a “Shekinah” é a “presença real” da Divindade. Deve notar-se que as passagens da Escritura onde se faz muito especialmente menção disso, são sobretudo aquelas em que se trata da instituição de um centro espiritual: a construção do Tabernáculo, a edificação dos Templos de Salomão e de Zorobabel. Tal centro, constituído em condições regularmente definidas, devia ser efetivamente o lugar da manifestação divina, sempre representada como “Luz”; e é curioso observar que a expressão “lugar mais iluminado e mais regular” que a Maçonaria tem conservado, parece ser uma recordação da antiga ciência sacerdotal, que presidia à construção dos templos e que, de resto, não era particular dos Judeus. Não temos de entrar no desenvolvimento da teoria das “influências espirituais” (preferimos esta expressão à palavra “bençãos” para traduzir o hebreu berakoth, tanto mais que é este o sentido que tem conservado, bem claramente, em árabe a palavra barakah). Mas mesmo cingindo-se a encarar as coisas, debaixo desse único ponto de vista, seria possível explicar a frase de Elias Levita, a que se refere Mr. Vulliaud, na sua obra “A Qabalah Judaica”: - “Os mestres da Qabalah tem grandes segredos acerca desse assunto”.

A Shekinah apresenta-se sob múltiplos aspectos, dos quais dois são principais, um interno e outro externo; mas, por outro lado, existe na tradição cristã uma frase que designa tão claramente quanto possível estes dois aspectos: “Gloria in excelsius Deo” e “in terra Pax hominis bonae voluntatis”. As palavras Gloria e Pax referem-se respectivamente ao aspecto interno, em relação ao Princípio, e ao aspecto externo, em relação ao mundo manifestado; e se considerarmos assim essas palavras, pode compreender-se imediatamente por que são proferidas pelos Anjos (Malakin) para comunicar o nascimento de “Deus conosco” ou “em nós” (Emanuel). Pelo primeiro aspecto, poder-se-iam também recordar as teorias dos teólogos sobre a “luz de glória”, na qual e pela qual se opera a visão beatífica (in excelsis); e, quanto ao segundo, reencontramos aqui a “Pax”, à qual nos referimos há pouco e que, no seu sentido esotérico, é indicada em toda a parte como um dos atributos fundamentais dos centros espirituais estabelecidos no mundo (in terra). Por outro lado, o termo árabe Sakinah, que é idêntico evidentemente ao hebreu Shekinah, traduz-se por “Grande Paz”, que é o exato equivalente da Paz Profunda, dos Rosacruzes. E por isso, poder-se-ia, sem dúvida, explicar o que aqueles entendem pelo “Templo do Espírito Santo”, como também poderia. Além disso, há uma grande diferença de sentido entre “o mundo” e “este mundo”, a tal ponto que, em certas línguas, existem para os designar dois termos inteiramente distintos: assim, em árabe, “o mundo” é el-âlam, enquanto que “este mundo” é ed-dunyâ. Salomão, rei de Israel (973/930 a.C.). Construiu o templo de Jerusalém e foi o autor de três livros do Antigo Testamento. Zorobabel, príncipe de Judá, da casa de David, que restabeleceu os Judeus no seu país, depois do édito de Ciro (séc. V a.C.). interpretar-se de uma maneira precisa, os inúmeros textos evangélicos, nos quais se fala da “Paz”3, tanto mais que a “tradição secreta relativa à Shekinah teria alguma relação com a luz do “Messias”.

É sem intenção que Vulliaud, quando dá esta última indicação, diz que se trata da tradição “reservada àqueles que perseguem o caminho que vai dar no Pardes”, isto é – como veremos mais adiante – ao centro espiritual supremo? Isso sugere ainda outra observação análoga. Vulliaud fala, em seguida, de um “mistério relativo ao Jubileu”, o que se liga num sentido, à idéia de Paz, e, a propósito, cita este texto do Zohar (III, 52b):- “O rio que sai do Éden tem o nome de Iobel”, assim como o de Jeremias (XVII, 8) – “Ele estenderá as suas raízes na direção do rio”, donde resulta que a “idéia central do Jubileu é a repetição de todas as coisas no seu estado primitivo”. É bem claro que se trata do regresso ao “estado primordial”, que todas as tradições consideram, e no qual tivemos ocasião de insistir no nosso estudo “O Esoterismo de Dante”. E quando acrescentamos que o “regresso de todas as coisas ao seu primeiro estado poderão recordar o que nós dissemos acerca do “Paraíso Terrestre” e da “Jerusalém Celeste”.

Por outro lado, para dizer a verdade, é sempre nas diversas fases da manifestação cíclica, o Pardes, o centro desse mundo, que o simbolismo tradicional de todos os povos compara ao coração, centro do ser humano e “residência divina” (Brahama-pura) na doutrina hindu, como no Tabernáculo é a imagem dele e que, por tal motivo, é denominado em hebreu mishkam ou “habitáculo de Deus”, palavra cuja raiz é a mesma de Shekinah. Debaixo de outro ponto de vista, a Shekinah é a síntese dos Sephiroth. Ora, na árvore sefirótica, a “coluna da direita” é o lado da Misericórdia, e a “coluna da esquerda” é o lado da Severidade4. Temos também de reencontrar esses dois aspectos na Shekinah e podemos notar logo, para ligar isto ao que precede, que, pelo menos, em certa medida, a Austeridade se identifica com a Justiça e a Misericórdia com a Paz5. “Se o homem peca e se afasta da Shekinah, cai sob o domínio dos poderes (Sârim) que dependem da Severidade”, o que lembra o símbolo muito conhecido da “Mão da Justiça”. Mas se, pelo contrário, “o homem se aproxima da Shekinah, liberta-se” e a Shekinah é a “Mão direita de Deus”, o que quer dizer que a “Mão da Justiça” se torna, então, a “mão que abençoa”6. São estes os mistérios da “Casa da Justiça”(Beith-Din), que é mais outra designação do centro espiritual supremo7. Deve notar-se que os dois lados que acabamos de considerar são aqueles em que se dividem os Eleitos e os Condenados às penas eternas, nas representações do “Dia do juízo final”. Poderia estabelecer-se igualmente uma aproximação com os dois caminhos que os pitagóricos figuravam pela letra Y e que representava, sob uma forma esotérica, o mito de Hércules 3 Por outro lado, está declarado explicitamente no próprio Evangelho que do que se trata não é, de forma alguma, da paz no sentido em que o mundo profano a entende. (S. João, XIV, 27) 4 Um simbolismo absolutamente comparável é expresso pela figura medieval da “árvore dos vivos e dos mortos”, que tem, além disso, uma relação bem clara com a idéia da “posteridade espiritual”. É preciso notar que a “árvore sephirótica” é também considerada como identificando-se com a “Árvore da Vida”.

5 Segundo o Talmude, Deus tem dois assentos, o da Justiça e o da Misericórdia. Esses dois assentos
correspondem igualmente ao “Trono” e à “Cadeira” da tradição islâmica. Esta divide, por sua vez, os nomes divinos çifâtiyah, isto é, “aqueles que exprimem os atributos propriamente ditos de Allah, em ‘nomes de majestade’ (jalâliyah) e ‘nomes de beleza’ (jamâliyah) o que corresponde ainda a uma diferença da mesma ordem.

6 Segundo Santo Agostinho e outros Padres da Igreja, a mão direita representa, do mesmo modo, a Misericórdia ou a Bondade, enquanto a mão esquerda, sobretudo de Deus, é o símbolo da Justiça. A “mão abençoadora” é um sinal da autoridade sacerdotal e é tomada, por vezes, como símbolo de Cristo. Esta figura da “Mãe abençoadora” encontra-se em certas moedas gaulesas, do mesmo modo que por vezes a “swastica” de braços curvos. 7 Este centro, ou um qualquer daqueles que são constituídos à sua imagem, pode ser descrito simbolicamente, ao mesmo tempo, como um templo (aspecto sacerdotal, correspondente à Paz) e como um palácio ou um tribunal (aspecto real, correspondente à Justiça).

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entre a Virtude e o Vício; com as duas portas, celeste e infernal, que nos Latinos estavam associadas ao símbolo de Janus; com as duas fases cíclicas ascendentes e descentes8 que, entre os Hindus, se ligam do mesmo modo ao simbolismo de Ganêsha9. Finalmente, é fácil compreender por isso o que querem dizer, na verdade, expressões como as de “intenção reta”, que encontraremos mais adiante, e de “boa vontade” (Pax hominibus bonae voluntatis, e aqueles que tem alguns conhecimentos dos diversos símbolos a que acabamos de fazer referência, poderão ver que é com razão que a Festa do Natal coincide com o solstício do Inverno), quando se tem o cuidado de por de parte todas as interpretações exteriores, morais ou filosóficas, às quais deram lugar desde os estóicos até Kant.
“A Qabalah dá à Shekinah um parédre que apresenta nomes idênticos aos seus, que possui por consequência os mesmos caracteres”10 e que tem naturalmente tantos aspectos diferentes como a própria Shekinah. O seu nome é Metraton, e este nome é numericamente equivalente ao de Shaddai11, o “Todo Poderoso” (que se diz ser o nome do Deus de Abraão).

A etimologia da palavra Metatron é muito incerta. entre as várias hipóteses que têm sido postas a esse respeito uma das mais interessantes é a que a faz derivar do caldaico mitra, que significa “chuva”e que também, pela sua raiz, certa relação com a “luz”. Sendo assim não é de crer que a semelhança com o Mitra hindu e zoroástrico constitua uma razão suficiente para admitir que há aí um empréstimo do Judaísmo a doutrinas estrangeiras, porque não é dessa maneira exterior que convém considerar as relações que existem entre as diferentes tradições; e diremos outro tanto do que respeita ao papel atribuído à chuva em quase todas as tradições, enquanto símbolo da descida das “influências espirituais”do Céu sobre a Terra.

A propósito, assinalemos que a doutrina hebraica fala de um “orvalho de luz” emanado da “Árvore das Vidas” pelo qual se deve operar a ressurreição dos mortos, bem como de uma “efusão de orvalho”que representa a influência celeste a comunicar-se a todos os mundos, o que lembra singularmente o simbolismo alquímico e rosacruz.

“O vocábulo Metratron comporta todas as percepções de guarda, de Senhor, de enviado, de mediador”; é o “autor das teofanias no mundo sensível”; é “o Anjo da Face” e também “o Príncipe do Mundo” (Sâr ha-ôlam) e, por esta última designação, vê-se que não nos afastamos nada do nosso tema. Para empregar o simbolismo tradicional que já explicamos anteriormente, diremos que, como o chefe da hierarquia iniciática, é o “Polo terrestre”, Metraton é o “Polo celeste”. e este reflete-se naquele, com o “Eixo do Mundo”.

“O seu nome é Mikael, o Grande Sacerdote, que é holocausto e oferta a Deus”. E tudo o que os Israelitas fazem na Terra é consumado, conforme os modelos do que se passa no mundo celeste. O Grande Pontífice neste mundo simboliza Mikael, príncipe da Clemência. Em todas as passagens onde a Escritura fala da aparição de Mikael, trata-se da glória da Shekinah. O que diz aqui dos Israelitas pode ser dito igualmente de todos os povos que possuem uma tradição verdadeiramente ortodoxa; e com mais forte razão, deve dizer-se dos representantes da tradição primordial, da qual todas as outras derivam e à qual todas estão subordinadas. e isto está em relação com o simbolismo da “Terra Santa”, imagem do mundo celeste a que fizemos referência. Por outro lado, conforme dissemos mais atrás, Metraton não tem apenas o aspecto da Clemência, tem também o da Justiça. não é somente o “Grande Sacerdote” (Koen ha-gadol), mas igualmente o “Grande 8 Trata-se das duas metades do ciclo zodiacal, que se concentra frequentemente representado no portal das Igrejas da Idade Média, como uma disposição que lhe dá evidentemente o mesmo significado. 9 Todos os símbolos que citamos aqui exigiriam ser explicados demoradamente. Talvez façamos isso, um dia, em outro estudo.
10 La Kabbale Juive, t. pp. 497-498. 11 O Número de cada um destes dois nomes, obtido pela soma dos valores das letras hebraicas, de que é formado, é 314.

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Príncipe” (Sar ha-gadol) e o “chefe das milícias celestes”, quer dizer que está nele o princípio do poder real, bem como o do poder sacerdotal ou pontificial, a que corresponde propriamente a função de “mediador”. Além disso, é preciso notar que Melek, “rei” e Maleak “anjo” ou “enviado” não são na realidade senão duas formas de uma mesma palavra; para mais, Malaki, “meu enviado”(isto é, o
enviado de Deus, ou “o anjo no qual é Deus”(Maleak ha-Elohim) é o anagrama de Mikael12. Convém acrecentar que, se Mikael se identifica com Metraton como acaba de ver-se, no entanto, ele não representa senão um aspecto; ao lado da face luminosa, há uma face obscura, e esta é representada por Samael, que é também chamado Sâr haôlam. Aqui voltamos ao ponto de partida.

Com efeito, é este último aspecto e aquele unicamente que é o “gênio deste mudo”, num sentido inferior, o “Princeps hujus mundi”, de que fala o Evangelho”, e as suas relações com Metraton, do qual é como que a sombra, justificam o emprego de uma mesma designação, num sentido duplo, ao mesmo tempo que fazem compreender por que o número apocalíptico 666, o “número da Besta”, é também um número solar13. Apesar disso, segundo Sto. Hipólito, “o Messias e o Anticristo têm ambos por emblema o leão”, que também é um símbolo solar: e a mesma observação podia ser feita para a serpente14 e para muitos outros símbolos. Sob o ponto de vista qabalístico, é ainda das duas faces opostas do Metraton que se trata aqui. Não temos de alongar-nos acerca das teorias que alguém poderia formular de uma maneira geral sobre esse duplo sentido dos símbolos, mas diremos apenas que a confusão entre o aspecto luminoso e o aspecto tenebroso constitui propriamente o “satanismo”. E é precisamente essa confusão que cometem involuntariamente, sem dúvida, e por simples ignorância (o que é uma desculpa, mas nunca uma justificação), aqueles que julgam descobrir uma significação infernal na designação do “Rei do Mundo”15.

12 Esta última observação recorda naturalmente estas palavras: - “Benedictus qui venit in nomine Domini”. São aplicadas ao Cristo que o Pasteur d’Hermas assemelha precisamente a Mikael, de uma maneira que pode parecer bastante estranha, mas que não deve espantar aqueles que compreendem a relação que existe entre o Messias e a Shekinah. O Cristo é também designado por “Princípe da Pax” e é, ao mesmo tempo, o “Juiz dos vivos e dos mortos”.
13 Este número é formado especialmente pelo nome de Sorath, demônio do Sol e, como tal, oposto ao anjo Mikael. Veremos mais adiante outra significação.
14 Os dois aspectos opostos são figurados principalmente pelas duas serpentes do caduceu. Na iconografia cristã, estão reunidos na anfisbena, a serpente de duas cabeças, uma das quais representa o Cristo e a outra Satã.
15 Assinalemos também que o “Globo do Mundo”, insígnia do poder imperial ou monarquia universal, se encontra frequentemente colocado na mão de Cristo, o que demonstra por outro lado que é o emblema, tanto da autoridade espiritual como do poder temporal.

TAUMATURGIA

Fonte:    De Dogme Rituel de la Haute Magie
Por Eliphas Levi (Alphonse Luís Constant)
" Traduzido A. E. Waite. ".
Originalmente publicado por Rider & Company, Inglaterra, 1896.
Transcrito converteu de um formato de Adobe Acrobat por
Benjamim Rowe, junho, 2001.


fonte: https://myspace.com/taumaturgiaska
Definimos milagres como os efeitos naturais de causas excepcionais, uma ação no humano, em corpos sem meios visíveis, constitui um milagre na ordem física. A influência exercitado em testamentos ou inteligências, ou de repente ou dentro de um determinado tempo, e capaz de dominar pensamentos, mudando as mais determinadas resoluções, paralisando as paixões mais violentas. esta influência constitui um milagre dentro o ordem moral. O erro comum relativo a milagres é os considerar como efeitos sem causas, contradições de Natureza, estranhos súbito do divina Mente, não, vendo que um único milagre desta classe destruiria a harmonia universal e reduza o universo a caos. Há milagres para os quais são até mesmo impossíveis Isto é, Deus esses que envolvem absurdo. Podido Deus seja absurdo para um momento, nem Ele nem o mundo estariam em existência o seguinte de momento. Para espere do divina Juiz um efeito que tem uma causa desproporcionada, ou até mesmo nenhuma causa nada, é o que é chamado Deus tentador: está lançando o ego da pessoa no nulo. Deus opera pelos trabalhos dele. em céu por anjos e em terra por homens. Conseqüentemente, em o círculo de ação angelical, os anjos podem executar tudo aquilo é possível para Deus, e no círculo humano de homens de ação pode dispor igualmente de divina Onipotência. Em o céu de concepções humanas é humanidade que cria Deus, e homens pensa que Deus os fez na imagem dele porque eles O fizeram dentro seu. O domínio de homem é Natureza todo corpórea e visível em terra, e se ele não pode reger sóis e estrelas, ele pode calcular o movimento deles/delas pelo menos, compute o deles/delas distâncias e identifica os seus vão com a influência deles/delas. Ele pode modificar a atmosfera, funcione um certo ponto nas estações mal, cure ou prejudique o vizinhos dele, preserve vida e inflija morte. Pela conservação de vida nós entendemos ressurreição em certos casos, como já estabeleceu. O absoluto com direito e volição é o maior poder que pode ser dado qualquer homem para atingir, e é por meio de este poder que ele executa o que surpreende a multidão debaixo do nome de milagres. A pureza mais perfeita de intenção é indispensável ao taumaturgo, e no próximo lugar um favorável confiança atual e ilimitada. O homem que veio temer nada e desejo nada é o mestre de tudo. Este é o significado daquela alegoria bonita do Evangelho, em que o Filho de Deus, muito o vencedor em cima de o espírito sujo, recebe sacerdócio de anjos na selva. Nada em terra resiste um testamento livre e racional. Quando o homem sábio diz," eu vou," é O próprio Deus que lega, e tudo aquilo que ele comanda acontece. É o conhecimento e independência do médico que constitui a virtude das prescrições dele, de onde taumaturgia é a única realidade e remédio eficaz. Segue aquele oculto terapêuticas estão aparte de todo o medicamento vulgar. Faz use a maior parte de palavras e insuflaçãos, e comunica por vá uma virtude diversa ao mais simples substâncias. água, lubrifique, vinho de cânfora, sal. A água de homeopatas é Verdadeiramente uma água magnetizada e encantou que trabalha por meio de fé. O substâncias dinâmicas somaram dentro, como quem diz, quantidades infinitésimas são consagrações e sinais do médico são ir. São chamados vulgarmente o que é charlatanice uns grandes meios de real sucesso em medicina, Assumente o que é suficientemente hábil inspirar grande confiança e formar um círculo de fé. Em medicina, acima de tudo, é fé que economiza. Há escassamente um aldeia que não possui seu componente masculino ou feminino de medicina oculta, e estas pessoas são. quase em todos lugares sempre de e. próspero de mais de incomparavelmente que os médicos aprovaram pela faculdade. Os remédios que eles prescrevem é freqüentemente estranho ou ridículo, mas nesta conta é tanto mais eficaz, porque eles extorquem e percebem mais fé por parte dos pacientes e operadores. Comerciante velho de nosso conhecido, um homem de caráter excêntrico e sentimento religioso exaltado, depois de se aposentar de negócio, se fixou a prática medicina oculta, gratuitamente e fora de caridade Cristã, em um dos Departamentos, de França. Os particulares exclusivos dele eram óleo, insuflaçãos e orações. A instituição de um processo contra ele para o exercício ilegal de medicina estabelecido dentro conhecimento público que tinham sido atribuídas dez mil curas a ele no espaço de cerca de cinco anos, e que o número dos crentes dele aumentou em proporções calculado para alarmar todos os doutores do distrito. Nós também vimos a Tripula uma freira pobre que foi considerado ligeiramente demente, mas ela curou todas as doenças não obstante dentro o país circunvizinho por meio de um elixir e gesso da própria invenção dela. O elixir foi levado interiormente, o gesso era exteriormente aplicado, de forma que nada, escapado esta panacéia universal. O gesso nunca aderido à pele economiza ao lugar onde sua aplicação era necessária, e rolou para cima e caiu por si só. tal pelo menos foi afirmado pela irmã boa e declarou para ser o caso pelo sofredores. Este taumaturgo também foi sujeitado a acusação, porque ela empobreceu a prática de todos os doutores arredonda sobre ela; ela era rigidamente clausurado, mas foi achado necessário produzir pelo menos uma vez a por semana logo, e no dia para as consultas dela nós vimos a Irmã Jane-Frances cercou pelo povo rural que tinha chegado durante a noite enquanto esperando a volta deles/delas, mentindo no convento, portão. Eles tinham dormido no chão e só tinham permanecido para receber o elixir e gesso da irmã dedicada. O ser de remédio o mesmo em todas as doenças, vai se apareça desnecessário para ela se familiarizar com os casos dos pacientes dela, mas ela escutou para eles invariavelmente com grande atenção e só a dispensou específico depois aprendendo a natureza da reclamação. Havia o segredo mágico. A direção da intenção sua virtude especial deu ao remédio que era insignificante em si mesmo. O elixir era conhaque aromático misturado com o suco de ervas amargas; o gesso era uma combinação análogo para antídoto como considera cores e cheiro; era possivelmente eletuário lance de Borgonha, mas qualquer a substância, trabalhou maravilhas, e teria sido visitada a ira do povo rural nesses que questionaram os milagres da freira deles/delas. Também se aproxime Paris que nós conhecemos de um taumaturgia velho jardineiro que maravilhoso realizado cura pondo no frascos dele o suco de todas as ervas de São João. Porém, ele teve um irmão céptico que zombou o feiticeiro, e o jardineiro pobre, subjugado pelos sarcasmos deste infiel, começado a se duvidar, ao que todos os milagres cessaram, os sofredores perderam confiança e o taumaturgo, caluniou e desesperando, morreu furioso. O Abbé Thiers, curé de Vibraie, no Tratado curioso dele relativo a Superstições, registros que uma mulher, aflito com um oftalmia aparentemente agravado, tendo sido de repente e misteriosamente curado, confessou a um padre que ela tinha se recorrido a para Magia. Ela tinha importunado um balconista quem ela considerou um mágico muito tempo, lhe dar um talismã que ela poderia usar, e ele teve a comprimento entregue o dela um rolo de papel de pergaminho, lhe aconselhando ao mesmo tempo que lavasse três vezes diariamente, em água fresca. O padre a fez deixar o pergaminho em qual era estes palavras: Eruat diabolus oculos tuos e repleat stercoribus loca vacantia. Ele traduziu eles para a mulher boa que foi estupefeita; mas, todos o mesmo, ela era curado. Insuflação é um das práticas mais importantes de medicina oculta, porque é um sinal perfeito da transmissão de vida. Inspirar, como um fato, meios para tome fôlego em alguma pessoa ou coisa, e nós já saibamos, pela uma doutrina de Hermes, que a virtude coisas criou palavras que hão uma proporção exata entre idéias e fala das quais são a primeira forma e realização verbal idéias. A respiração atrai ou repele adequadamente como está morno ou frio. O morno respirando corresponde a positivo e o respirar frio para negar eletricidade. Animais elétricos e nervosos temem respiração fria, e a experiência pode ser feito em um gato cujas familiaridades são inoportunas. Por fixamente relativo a um leão ou tigre e chegando a face deles/delas, eles seriam estupefeitos assim sobre seja forçado se retire antes de nós. Insuflação morno e prolongado recruta a circulação do sangue, curas dores reumáticas e gotosas, restabelece o equilíbrio dos humores e dispersa cansaço. Quando o operador for simpatizante e bom, age como um universal sedativo. Insuflação frio acalma dores ocasionadas por congestões e fluídico acumulações. As duas respirações devem ser usadas então alternadamente, enquanto observando a polaridade do organismo humano e agindo de uma maneira contrária no colunas que devem ser sujeitados sucessivamente a um magnetismo oposto. Assim para cure um olho inflamado, o que não é afetado deve ser sujeitado um morno e insuflação suave, insuflação frio que é praticado no sócio de sofrimento, à mesma distância e na mesma proporção. Passagens magnéticas têm um semelhante efeito para insuflaçãos, e é uns reais respirando por transpiração e radiação do ar interior que é fosforescente com luz vital. Passagens lentas constituem uma respiração morna que fortalece e eleva os espíritos; passagens rápidas são um resfriado tomando fôlego de natureza de dispersivo, neutralizando tendências a congestão. O morno deveriam ser executados insuflação transversalmente, ou de debaixo de superior; o resfriado insuflação é mais efetivo quando dirigiu para baixo de acima. Nós não só tomamos fôlego por meio de boca e narinas; a porosidade universal de nosso corpo é um Verdadeiro aparato respiratório, inadequado indubitavelmente mas a maioria útil a vida e saúde. As extremidades dos dedos onde todos os nervos terminam, difunda ou atraia a Luz Astral adequadamente como vamos nós. Passagens magnéticas sem contato estão um insuflação simples e leve; contato soma simpatizante e impressão equilibrando para respirar; é bom e até mesmo necessário, prevenir alucinações nas fases cedo de sonambulismo para isto são uma comunhão de Físico realidade que previne o cérebro e recorda imaginação vagante; isto porém, também não deve ser prolongado quando o objeto somente for magnetizar. Contato absoluto e prolongado é útil quando o desígnio for incubação ou massagem em lugar de magnetismo corretamente assim chamou. Nós demos alguns exemplos de incubação do a maioria venerou livro dos cristãos; todos eles recorrem à cura de letargias aparentemente obstinadas, como nós somos conduzidos a termo ressurreições. Massagem é ainda recorrido em grande parte para no Leste aonde é praticado com grande sucesso o banhos públicos. É completamente um sistema de fricções, tração e pressões, praticado, lentamente ao longo da extensão inteira de sócios e músculos, o resultado que é renovado equilíbrio nas forças, um sentimento de repouso completo e bem-estar, com um sensato restauração de atividade e vigor.

O poder inteiro do médico oculto está na consciência do testamento dele, enquanto a arte inteira consiste excitando a fé do paciente dele. " Se você tem fé," dito o Mestre," todas as coisas são possíveis a ele que acredita. " O assunto deve ser dominado por expressão, harmonize, gesto; confiança deve ser inspirada por um paternal maneira e alegria estimuladas por conversa da estação e vivaz. Rabelais, que era um maior mágico que ele parecia, pantagruelismo feito a panacéia especial dele. Ele compeliu os pacientes dele para rir, e todos os remédios que ele administrou subseqüentemente tido sucesso o melhor por conseguinte. Ele estabeleceu um magnético condolência entre ele e eles por meio dos quais ele deu o próprio dele confiança e humor bom; ele os lisonjeou dentro o dele prefacia, expresso eles seu precioso, mais dos pacientes ilustres, e dedicado os livros dele para eles. Assim é nós convencido o Gargantua e Pantagruel curaram humores mais pretos, mais tendências, para loucura, mais caprichos de atrabilious, àquela época de animosidades religiosas, e guerras civis, que a Faculdade inteira de Medicina poderia ostentar. Medicina oculta é essencialmente simpatizante. Afeto recíproco, ou pelo menos real benevolência, tem que existir entre o doutor e paciente. Xaropes e julepos (bebida forte) têm muito pouca virtude inerente; eles são o que elas se tornam pela opinião mútua de operador e assunto; conseqüentemente medicina homeopática dispensa com eles e nenhuma inconveniência séria segue. Óleo e entretém, combinou com sal ou cânfora, é suficiente para a cura de todas as feridas e para todas as fricções externas ou aplicações calmantes. Óleo e vinho é o medicamentos principal de tradição de Evangelho. Eles formaram o bálsamo do Samaritano bom, e no Apocalipse. descrever de ao como pestilências de últimas. o profeta pede os poderes vingadores para poupar estas substâncias, quer dizer, partir um esperança e um remédio para tantos feridas. O que nós termo Unção Extrema era o pura e simples prática do Tradicional do Mestre Medicina, ambos para o cedo Cristãos e na mente do apóstolo São James que incluiu o preceito na epístola dele para o crente do mundo inteiro. " Se qualquer homem está doente entre você," ele escreve," o deixe chamar os padres da igreja, e os deixe rezar em cima de ele, o ungindo com óleo no nome do Deus. " Esta ciência terapêutica divina estava gradualmente perdido, e Unção Extrema chegou a ser considerada como um religioso formalidade, uma preparação necessária para morte. Ao mesmo tempo, o taumaturgia não pôde ser apagada virtude óleo consagrado completamente de recordação por doutrina tradicional, e é perpetuado na passagem do Catecismo que recorre a Unção Extrema. Fé e caridade eram os poderes de cura mais notáveis entre cristãos cedo. A fonte da maioria das doenças está em desordens morais; nós tenha que começar curando a alma, e então a cura do corpo seguirá depressa. 

domingo, 5 de junho de 2016

DOGMÁTICO

O termo surgiu a partir do grego "dogmatikós", que significa literalmente "aquele que o que pensa é verdade".



O que é Dogmático:

Dogmático é um adjetivo que qualifica alguém ou algo como seguidor de um dogmadogmatismo. Ou seja, um indivíduo que aceita determinada coisa como verdade absoluta e não abre espaço para discussões
A palavra dogmático é utilizada para caracterizar alguém que consegue demonstrar algo de uma maneira autoritária; um sujeito dogmático. Os indivíduos dogmáticos, neste caso os que se incluem na doutrina do dogmatismo, acreditam que a verdade absoluta e indiscutível é possível de ser alcançada pelo homem, através da filosofia ou religião. As pessoas ou ideias dogmáticas estão principalmente presentes dentro desses dois campos: a filosofia e a religião. Na filosofia, o dogmático crê na contestação das verdades ditas como absolutas. Platão e Aristóteles são alguns exemplos de filósofos dogmáticos. Já na religião, o dogmático é aquele que acredita piamente nas crenças estabelecidas pelas escrituras sagradas de sua doutrina. A igreja católica, o islamismo e o judaísmo são alguns exemplos de religiões que possuem fortes dogmas. 
O termo surgiu a partir do grego dogmatikós, que significa literalmente "aquele que o que pensa é verdade".

Dogmático e Zetético

Enquanto que os conceitos dogmáticos determinam algo como verdade absoluta e indiscutível, considerando o homem como capaz de responder a todas as questões do mundo, o pensamento zetético parte do principio das experimentações. 
zetética é formada por um campo de investigação, duvidando e examinando várias vezes as diversas opiniões, que até não serem comprovadas serem verdades (com conceitos matemáticos e filosóficos), são consideradas apenas proposições.

O que é Dogmatismo:

Dogmatismo é a tendência de um indivíduo, de afirmar ou crer em algo como verdadeiro e indiscutível, é um termo muito utilizado pela religião e pela filosofia. O dogmatismo ocorre quando uma pessoa considera uma verdade absoluta e indiscutível, o que é muito debatido nas religiões.
Dogmatismo é quando são ditas verdades que não foram revisadas ou criticadas, que a sociedade simplesmente tornou-a verdade absoluta. É uma atitude dos indivíduos de crer na existência de algo sem ter dúvidas, o que ocorre desde a antiguidade, porém muitos filósofos, como Platão e Aristóteles, se recusavam a crer em alguns fatos estabelecidos e ditos como verdade.
Na religião, o dogmatismo acontece com a revelação de Deus, através de diversos dogmas. A Igreja Católica tornou os dogmas como definitivos e imutáveis, onde ninguém questiona a veracidade da existência de Deus, através de dogmas como, a santíssima trindade, o sacrifício de Jesus, a ressurreição de Jesus, e vários outros.
O dogmatismo pode ser entendido em três sentidos:
  1. Como parte do realismo, isto é, uma atitude ingênua que admite a possibilidade de conhecer as coisas em toda a sua verdade e também a efetividade deste conhecimento na utilização diária e direta com as coisas.
  2. Como confiança absoluta numa certa fonte de conhecimento (ou suposto conhecimento), sendo que essa fonte na maior parte das vezes é a razão.
  3. Como uma submissão total a determinados valores ou à autoridade que os aplica ou anuncia. Este sentido comporta os dois primeiros abordados, porque é um comportamento adotado graças ao problema da possibilidade do conhecimento.

Dogmatismo filosófico

O dogmatismo filosófico é a contestação do ceticismo, é quando as verdades são questionadas, para fazer com que os indivíduos não confiem e nem se tornem submissos perante as verdades estabelecidas. O dogmatismo filosófico pode ser compreendido como a possibilidade de conhecer a verdade, a confiança nesse conhecimento e a submissão a essa verdade sem questioná-la. Alguns dos filósofos dogmáticos mais conhecidos são Platão, Aristóteles e Parmênides.
Em termos filosóficos, a palavra dogmatismo inicialmente significava oposição, visto que era uma oposição filosófica, uma coisa referente aos princípios. Por esse motivo, a palavra "dogmático" significava "relativo a uma doutrina" ou "fundado em princípios".

Dogmatismo crítico e ingênuo

O dogmatismo ingênuo é referente a alguém que acredita completamente nas possibilidades do nosso conhecimento, onde vemos o mundo tal como ele é; por outro lado, o dogmatismo crítico acredita na nossa capacidade de conhecer a verdade através de um esforço em conjunto dos sentidos e da inteligência, através de uma abordagem metódica, racional e científica.

domingo, 29 de maio de 2016

DIÁRIO MÁGICO


Como se Usa o Diário

por Frater Goya

Pretendo explanar mais claramente a finalidade do Diário Mágico e a correta forma de fazer anotações. Muitas dúvidas surgem no estudante do que anotar, como anotar e da importância do Diário no estudo do Oculto. Todo grupo que se preza deve exigir do estudante a manutenção de um diário, onde serão anotadas todas suas experiências pessoais com a Magia. Esse diário é de uso exclusivo do estudante, embora possa ser examinado pelo seu tutor ou chefe do grupo quando necessário. Aconselha-se anotar no diário a data, a hora, o local, e as posições planetárias do Sol da Lua e o dia da semana, para futura referência. 
O Que Anotar? Tudo é importante. Seja um pensamento, as práticas, um sonho, uma queixa, um desejo, tudo é mportante e deve ser anotado com o maior número de detalhes possível. O
diário deve ser um retrato fiel da anotação a que se refere. No diário não se anotam apenas sonhos, mas toda e qualquer atividade mágica (meditações, pentagramas, rituais, etc.). Essas anotações formarão seu Grimório. As Anotações “Lectionem sine calamo temporis perditionem puta” “Leitura sem caneta reputa perda de tempo” Tudo deve ser anotado. Se algo chamou sua atenção ou não ficou muito claro, anote. Se foi importante, será uma ótima referência futura. Se ficaram dúvidas, podem ser esclarecidas mais tarde. 

O que deve ser anotado?
- Resumos das idéias mais importantes ou úteis
- Frases expressivas, literalmente e com precisão
- Idéias pessoais suscitadas pela leitura.

Como deve ser anotado?
- use os 4 c´s: curtas, claras, corretas, completas.
Essas regras baseiam-se exclusivamente num estudo teórico, baseado em material escrito. Para outros métodos, deve-se adequar essas regras. O Diário não é uma questão de vontade: como o estudante espera validar quaisquer de suas práticas, sendo que o método usado para validar a magia é empírico, sem qualquer anotação que comprove as mudanças ou que forneça dados consistentes sobre sua evolução?

Como deve ser o Diário
O Diário deve ser anotado com cuidado, num caderno especialmente preparado para isso. Uma das opções mais práticas para um Diário é usar um caderno do tipo fichário, com folhas soltas que podem facilmente ser mudadas de posição para se incluir algo entre elas, como uma gravura, por exemplo. Outra opção pode ser a utilização de um Caderno Ata com folhas numeradas.

Leia-se abaixo uma descrição que Crowley faz do Diário em Magia:
“...A caligrafia do Livro deve ser firme, clara e bela. Na fumaça do incenso é difícil ler os conjuros. E enquanto tenta ler as palavras por entre a fumaça, ele desaparecerá, e terás de escrever aquela terrível palavra: Fracasso. Mas não existe nem uma só folha do livro na qual não apareça esta palavra; mas enquanto é seguida por uma nova afirmação, ainda nem tudo está perdido, já que desta maneira no Livro a palavra Fracasso perde toda a sua importância, da mesma maneira que a palavra Êxito não deve ser empregada jamais, porque esta é a última palavra que deve-se escrever no livro, e é seguida por um ponto. Este ponto não se deve escrever em nenhum outro lugar do Livro; porque o escrever neste Livro segue eternamente; não há forma de encerrar este Diário até que haja alcançado a meta. Que cada página deste Livro esteja repleta de música, porque é um Livro de Encantamentos!” 

Dos Objetivos
O objetivo do diário é justamente ajudar a tornar uno aquilo que é destroçado e desorientado, justamente usando o acúmulo de conhecimento. Pode um estudante médio se auto-avaliar e saber desde quando deixou de ser desorientado para ser uno? Onde acaba o calor e começa o frio? A única referência válida para essa avaliação é o Diário por confrontação de idéias. O Diário com instrumento de passagem de Grau 

Abaixo segue um trecho do Liber E.

"Essas regras são as que adotamos de comum acordo entre o Conselho. Desrespeitar essas regras é cobrar dos outros aquilo que nós não fazemos. O Diário, a partir do Artifex é um dos itens principais da passagem de grau. Somente as anotações realizadas serão consideradas, seguindo o protocolo do Diário descrito anteriormente. Não serão aceitas afirmações verbais. Elas se espalham no vento. Sem diário, sem passagem de Grau. Isso vale para todos. Desde o Supremo Conselho até o Neófito, sem exceções. Desconsiderar esse trabalho é ignorar tudo aquilo que fazemos como estudiosos do oculto...

1. É absolutamente necessário que todos os experimentos sejam anotados em detalhe durante ou imediatamente após, a prática.
2. É muito importante anotar as condições físicas e mentais do experimentador ou experimentadores.
3. A hora e o local de todos os experimentos devem ser anotados; também o estado do tempo (sol, chuva, umidade, frio, secura, etc.), e em geral todas as condições que poderiam concebivelmente ter alguma influência sobre o resultado dos experimentos, quer como causas corroborantes (ou positivas) ou fontes de erro (ou negativas).
4. A A.’.A.’. não tomará notícia oficial de quaisquer experimentos que não sejam assim conscienciosamente anotados.
5. Não é necessário nesse estágio que declaremos por completo o propósito compreendido por aqueles que não se tornarem peritos nestas práticas elementares.
6. O experimentador é aconselhado a usar sua própria inteligência e iniciativa, e a não confiar em qualquer pessoa ou pessoas, por mais distintas ou sábias, mesmo entre nós mesmos.
7. O relatório dos experimentos deve ser redigido de maneira a tornar-se útil e informativo aos que o lerem.
8. O livro John St. John publicado no primeiro número do Equinócio é um exemplo deste tipo de relatório redigido por um estudante muito avançado. Não é tão simples quanto desejaríamos, mas exemplifica o método.
9. Quanto mais objetivo e ordeiro o relatório, tanto melhor. Porém, as emoções devem ser anotadas, sendo parte das condições do experimento."
                                                                                                                           Liber E vel Exercitiorum
Conclusão
Esperamos que essas explicações auxiliem a todos na sua busca individual, para que num futuro próximo possam usufruir dessas anotações como fonte de estudo e guia para um melhor desenvolvimento.

sábado, 28 de maio de 2016

A Tradição Hermética


De todas as tradições espirituais conhecidas no Ocidente, a de Hermes, o Três Vezes Grande, é a mais antiga. Exposta a alterações no decurso do tempo, a Tradição Hermética está arraigada no passado egípcio mais remoto. Lá sai a máscara de Hermes para revelar Thoth, o da cabeça de Íbis, o primeiro doador do conhecimento à humanidade. Este conhecimento ainda perdura entre nós, conservado ao longo dos séculos por uma comunidade invisível de adeptos pouco conhecidos ou desconhecidos.  


Um doador de conhecimento difere muito de um deus salvador sofredor como Osíris ou de uma deusa  mãe amante como Ísis. Cada aspecto da divindade apela a um tipo psico-espiritual diferente e cada um deles pode conduzir por diversas sendas a um único objetivo. O caminho que leva ao conhecimento possui um propósito duplo. Primeiro, ensinar técnicas e práticas para superar as limitações humanas, como o trauma da morte e, segundo, estudar a ordem cósmica e trabalhar dentro dela. Quando esses dois objetivos coincidem, temos a expressão do Hermetismo.
   


O mundo clássico temporalmente sentiu a atração pelo Egito e seus mistérios, ainda que fosse um Egito de glórias passadas. Pitágoras se encontrou entre os que visitaram a "Terra de Chem" para adquirir suas iniciações e incorporá-las à sua própria filosofia. No aspecto religioso, os cultos egípcios se introduziram   no mundo clássico com as conquistas de Alexandre, O Grande. O mesmo Alexandre se representava portando os chifres de carneiro de Amon, deus de Tebas. A Roma foi Ísis, cujo culto chegou a ser  um dos mais esplêndidos sob os Imperadores. Em Alexandria e outros centros de língua grega, surgiu  Serapis como um amistoso rival de Zeus, porém foi Thoth quem conseguiu mais com a mente filosófica.
   

No mito egípcio, Thoth é descrito  várias vezes como o espírito e inteligência do Criador; deus do saber e da cura, juiz das disputas celestiais e secretário dos deuses; o que pesa as almas dos mortos. Foi ele quem proferiu as palavras que teriam dividido os membros de Osiris. Thoth inventou números e mediu o tempo. Em sua abstração máxima, Thoth foi um deus de transições, do caos ao cosmos, das disputas ao entendimento, da morte ao renascer, das causas aos efeitos. Mais concretamente, era considerado  um deus dos encantamentos   e da astrologia, da medicina popular e mestre-instrutor em plantas e minerais.
    
Tudo isto vinha com Thoth ainda que tenha tomado uma aparência grega. O deus grego Hermes também havia sido um deus de transições: um assinalador  de fronteiras, um guia de almas ao Hades, mensageiro entre o Olimpo e a Terra, patrão de mercadores e ladrões. Quando se deu esse nome a Thoth, com o epíteto Trimesgisto ("Três Vezes Grande"), este assumiu a aparência de filósofo-rei, recriando para  a época helênica a memória daqueles homens divinos ou deuses encarnados  que haviam educado à raça humana. Há ressonâncias deles em toda as terras, como Zoroastro, Fo-hi, Tubalcaín, Quetzalcoátl, Dionísio, Orfeu, etc. Os escritos gregos atribuídos a Hermes Trimegisto constituem um cânon mais unificado que o das escrituras judaicas ou cristãs. São uma série de escritos doutrinais, inspirados em vários autores  com variações em torno de alguns grandes temas como: a bondade absoluta de Deus, que é de uma só vez Uno e Todo; a auto-revelação da Mente Divina no  Cosmos;  o Universo como uma emanação de seres dentro de uma ordem hierárquica; a constituição única do ser humano como microcosmo; o caminho até a regeneração e conhecimento direto de Deus. O  Corpus Hermeticum expunha novamente esses temas em benefício dos cosmopolitas de língua grega que viviam sob o Império Romano.
   
Ainda que Thoth tivesse seu aspecto popular, o Corpus Hermeticum possui seu aspecto apócrifo em que Hermes converte-se em senhor das ciências ocultas, o revelador da medicina astrológica e da magia simpática por meio da qual se atraem as influências do céu e se fixam os talismãs. Há um exemplo em Asclepius, quando descreve como os egípcios fundiam deuses em estátuas. Por último, mas não menos importante, a filosofia natural de Hermes e seu conhecimento do oculto se uniram para fazer dele o pai da alquimia , a arte egípcia da transmutação.
    
A imagem mítica central do hermetismo parece ser o primeiro tratado do  Corpus Hermeticum, "Poimandrés, o Pastor dos Homens". É a descrição da ascensão da alma depois da morte e da rendição de suas energias às sucessivas esferas dos sete planetas. Quando esta renuncia a todas elas, pode então atravessar a Oitava Esfera (As Estrelas Fixas) e unir-se  à companhia dos Benditos. Esta é uma versão cósmica da  ordália descrita no Livro dos Mortos dos egípcios (ou a "Saída à Luz do Dia"), onde uma alma deve atravessar os diversos corredores do Outro Mundo e ser pesada contra uma pluma em uma balança antes de poder ingressar no Paraíso de Osiris.

O aspecto filosófico do Hermetismo baseia-se na doutrina das correspondências. Na ascensão hermética, cada planeta corresponde a um determinado poder: Mercúrio à inteligência, Vênus ao desejo, Marte à ira, etc.  Assim, o ser humano é um microcosmo que contém, em pequena escala, as mesmas energias que o macrocosmo. Se imaginarmos a Terra como o centro do Universo, a alma adquiriu essas energias em sua viajem descendente, (ou interior) desde as regiões celestiais através das esferas planetárias e surge à vida terrena no ventre materno, plena de potencialidades e tendências que são delineadas em seu horóscopo natal. Durante a vida, a alma trabalha com essas potencialidades com  a esperança de refiná-las para que emerjam como virtudes. Se logra seu intento, ao abandonar o corpo na morte, é luz e, desembaraçada, está pronta para ascender a seu lugar de origem. Se, pelo contrário, as energias se condensaram  em vícios, então a viajem ascendente se tornará difícil e a alma pode permanecer presa na atmosfera da Terra, um tormento para ela mesma e uma retardatária para suas companheiras.

 Esta é a Doutrina Hermética, como se entende geralmente.   Entretanto, segundo as escolas   modernas da alquimia que liquidaram com a estrita confidencialidade  do passado, não resta nada da maioria das almas das pessoas que tenham sido filtradas pelas esferas planetárias, pouco depois da morte. A maioria delas seria extinta como personalidade, pouco depois da morte e talvez sejam recicladas como pessoas totalmente diferentes. Para colocar a questão de forma sensível, não existe garantia alguma acerca da imortalidade pessoal, apesar do que possam dizer em contrário as doutrinas consoladoras.


A ambição do adepto é sobreviver a esta dissolução geral e, se voltar a encarnar, fazê-lo apenas por uma eleição deliberada e não por uma amarração a um  processo natural, como o resto das pessoas. Para atravessar além dos limites dos cosmos (simbolizado pela esfera estelar) e entrar conscientemente em outra forma de vida, o adepto deve ter forjado durante sua vida  um "corpo radiante" como veículo de sua individualidade. Se diz que este processo é puramente científico e nada tem a ver com religião. As técnicas requeridas  são ensinadas em escolas muito restritas e de várias formas apropriadas para as diferentes culturas do Ocidente e do Oriente, Norte e Sul.

  
Conhecer esta corrente hiper-esotérica facilita a compreensão da alquimia. Na alquimia operativa ou física, o corpo radiante é forjado em paralelo com eventos químicos e sua consecução marca o surgimento da Pedra Filosofal.  Há evidentemente objetivos intermediários que se consideram dignos de serem alcançados: o assunto é extremamente complexo. Alternativamente, a alquimia pode ser totalmente interna, consistindo em meditações, exercícios de respiração, magia sexual, etc.

Pelo fato do mundo físico estar imerso em influências celestiais, é um lugar de beleza e maravilha. A Natureza é um livro onde se pode ler a sabedoria da mente Divina. Recordemos que a Thoth se relacionava todo o conhecimento útil: as artes e ciências que melhoram a qualidade de vida, como a música, as matemáticas e a escrita. Obviamente, a alquimia mesmo se iniciou com a tecnologia dos metais. Quando a mera existência animal se eleva devido às artes e ciências e as pessoas se movem conscientes da mente Divina através das obras da Natureza é que as dádivas de Thoth estão gerando frutos.

Depois do Império Romano as doutrinas do Corpus Hermeticum expandiram-se em direção ao Hermetismo, termo mais amplo que abrange muito da tradição esotérica do Ocidente. As três religiões abraâmicas encontraram um espaço para ele. Entrou no Islã graças aos saberes de Harran (na Turquia, próximo à fronteira com a Síria), centro da antiga indústria de cobre e de uma seita que mesclou a  adoração da estrelas com o neopitagorismo, neoplatonismo e a alquimia prática. Seus patronos, Hermes e Agathodaimon, transformaram-se nos profetas muçulmanos Idris(=Enoque) e Seth. Por mais de um século, Harran também foi a sede de uma escola de tradutores que se especializou na matemática e astronomia grega, transmitindo assim muito da tradição  pitagórica ao mundo muçulmano. No Séc. X, a Irmandade da Pureza de Basra (Iraque), compilou uma enciclopédia  de todas as artes e ciências, incluindo a teurgia e a magia, a qual foi estudada pelos drusos, pela seita dos asesinos e pela maioria das escolas sufis. Desta forma o Hermetismo  passou ao verdadeiro coração do esoterismo islâmico.

No judaísmo, a influência  hermética  surgiu na Cabala. O breve e fundamental texto cabalístico  Sepher Yetsirah (o "Livro da Formacão", Séc.  III d. C.) expõe uma cosmologia baseada na doutrina das correspondências, especialmente a dos planetas setenários, dias da semana, aberturas da cabeça, etc, e do dodecanato do zodíaco, as direções do espaço, dos meses, órgãos do corpo, etc. Descreve um cosmos não separado entre o  bem e o mal, mas suspenso na polaridade por energias positivas e negativas. O método de salvação se dá por meio da tomada de consciência do Uno como microcosmos, sentando o "Rei em seu Trono"  (a Presença Divina ) no centro da vida. De novo, temos uma doutrina que afirma a Natureza e Corpo e está dedicada à realização do macrocosmo no microcosmo. A ideia esotérica de Israel é também uma ideia hermética: a de que os judeus estão chamados a dar testemunho da ordem divina na Terra. Em  igual ao Hermetismo, a Terra, incluindo o corpo humano, está plena de influências celestes, motivo pelo qual a forma de vida judaica está projetada para assegurar que toda ação congregue um significado espiritual.
    
Em Bizâncio, o Corpus Hermeticum foi preservado pela escola de Pselos sob a bandeira do neoplatonismo e assim passou à Itália ganhando um novo ímpeto. A tradução latina de  Marsilio Ficino foi apresentada a Cosme de Medici en 1463 e no século e meio seguinte marcou o mundo intelectual. A ideia de que Deus havia falado não apenas aos judeus mas também aos pagãos conduziu, em círculos seletos, à renovação de um sentido religioso universal, como o que existiu pela última vez sob o Império Romano. O Hermetismo serviu   como campo neutro tanto a protestantes quanto a católicos. O Hermetismo, ou a busca da alquimia e das outras ciências ocultas,  às quais ele provê o suporte intelectual, floresceu como nunca o fez antes.
Por ser essencialmente um ensino cosmológico e prático, em lugar de uma teologia, o Hermetismo pode coexistir com quaisquer das religiões abraâmicas. Seu antecedente histórico, contrário ao das anteriores, está livre de intolerância e derramamento de sangue. A forma de vida hermética, que é ciência, contemplação e auto refinamento não entra em conflito com a fé ou as práticas religiosas.  Por estas razões, o terreno hermético é um lugar de confluência ideal para os cristãos, judeus, muçulmanos e para aqueles de outras religiões  ou de nenhuma. Oferece uma análise da condição humana dentro do cosmos e uma variedade de métodos para fazer o melhor uso desta condição.

A Maçonaria tem sido uma criação bastante duradoura da Tradição Hermética no Ocidente, levando-a através da era do ceticismo e do cientificismo (positivismo de Comte). O simbolismo maçônico é totalmente hermético, ainda que não seja totalmente egípcio. A imagem do Grande Arquiteto do Universo formando aos homens como pedras em estado bruto a serem lapidadas até serem blocos perfeitos do Templo Cósmico remonta-se ao Demiurgos  de Platão (não confundí-lo com o enganoso Demiurgo do Gnosticismo). As etapas de iniciação estão, como os passos da ascensão hermética, plenas de simbolismo planetário. A regra que evita toda discussão religiosa na Loja elimina um dos principais obstáculos para a irmanação dos homens: a discórdia sectária. 

videoNa atualidade, muitas religiões ocupam-se de temas verdadeiramente não-herméticos. De certa forma,  isto tem valido para a Tradição Hermética que agora não tem mais porque ficar atrelada a outras instituições e pode erigir a própria igreja, desenvolver o seu lado mais esotérico. Um repasse na história confirma o diagnóstico. O Hermetismo do Renascimento esperava restaurar a paz ao mundo cristão e a sensatez da humanidade em guerra, o movimento atual vai além do apoio ecumênico, pretende dar identidade à sua Igreja, filosófica não dogmática. Como alquimistas que acreditam que matéria pode se transformar em ouro, dedicam-se à transformação pessoal e na realização do potencial latente de cada um. Em templos herméticos as ciências ocultas florescem nas suas formas mais superficiais nos sistemas de adivinhação (Tarot, Runas, I Ching), a Astrologia, a Ciência das Plantas (a medicina das ervas) e uso dos Cristais.  Assim como Paracelso percorreu a Europa conversando com lenhadores e mulheres sábias, os hermetistas buscam e valorizam a sabedoria dos indígenas. 

Ir Edson Monteiro

A Tábua de Esmeralda

É à luz dessa ciência dos símbolos que convém notadamente interpretar a célebre Tábua de Esmeralda, síntese da Ciência Iniciática estabelecida por Hermes Trismegisto. O texto, como parece, foi gravado sobre uma placa de metal precioso enriquecida de esmeraldas (outros autores dizem que sobre uma única esmeralda).

Transcreveremos esse texto, com um brevíssimo comentário entre parênteses, notando que ele nos faz percorrer um périplo que vai da trindade humana (corpo, alma, espírito), a uma trindade cósmica (mundo natural, mundo humano, mundo divino) para terminar na trindade divina (Espírito, Essência, Energia-Vida).

 Eis esse texto, do qual não se costuma citar mais do que os dois primeiros parágrafos:

 · I - “Isto é verdade, sem mentira, muito verdadeiro.
 (A verdade nos três mundos.)

 · II - “O que está embaixo é como o que está em cima,
 (Lei da analogia, lei dos sinais de apoio.)
 “e o que está em cima é como o que está em baixo,
 (Lei da polaridade, da imantação.)
 “para fazer o milagre de uma única coisa.  
 (Lei do Ternário e de série, lei das correspondências.)

 · III - “E como todas as coisas vieram e vêm do Um,
 (Lei da unidade e da criação divinas, lei do Número.)
 “assim todas as coisas nasceram dessa coisa única, por adaptação. 
(Lei da adaptação.)

 · IV - “O Sol é o seu pai; a Lua, sua mãe; o vento carregou-o no seu ventre; a terra é a sua nutris.
 Os quatro elementos: Fogo (Sol), Água (a Lua, elemento úmido), Ar (o vento); Terra.

 · V - “Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, docemente, com grande indústria.
 (Arcano da salvação; separação do espírito (sutil) e da matéria (espesso); espiritualização.)
 “Ele sobe da terra para o céu, e de novo desce à terra, e recebe a força das coisas superiores e inferiores.
 (Leis da involução e da evolução.)
 “Terás, por esse meio, toda a glória do número e toda escuridão se afastará de ti."

 · VI - “E a força forte de toda força.
 (Lei do amor e do sacrifício.)
 “Porque ela vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida.
 (E pela lei do Amor que o Espírito move o universo.)

 · VII - “Assim foi criado o mundo.
 (Lei da realização. Amor e Sacrifício criam as obras duráveis)

 · VIII.”Disso sairão inúmeras adaptações, cujo meio está aqui.

· IX - “Por isso eu fui chamado de Hermes Trismegisto, possuindo as três partes da filosofia do mundo.
 (Conhecimento absoluto dos três planos do universo: divino, astral, físico.)
 “O que eu disse da operação do Sol está realizado e aperfeiçoado.”


Extraído do livro Os Talismãs de Jean-Pierre Bayard

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A FINALIDADE DO APRENDIZADO DA MAGIA

por Frater Goya

Vamos discorrer sobre a finalidade da magia, e nos concentrar em explicar como funciona o processo de aprendizado individual do estudante mágico. Esse estudo individual é dividido em duas fases:

1) Aprendizagem: Assimilação e memorização de informações de base ou elementares da disciplina a ser estudada.
2) Pesquisa: a partir dos dados fundamentais de uma ciência, investigar os dados, criticá-los e criar novas propostas.

O Estudo fundamental da Magia consiste em: leituras, apontamentos e memorização. Mais importante que ler, é saber escolher um bom livro...

   Non pas lire, mais élire = não ler, mas escolher 

Leitura
É preciso ler com qualidade. Se formos atrás do que os leitores andam lendo, chegaremos à conclusão de que o ocultismo não deve ser realmente levado à sério. A falta de critério na escolha dos livros beira o absurdo. Quando é feita a fatídica pergunta: “O que você gosta de ler?” , a resposta quase sempre é um trágico: “leio de tudo um pouco”.

À primeira vista posso estar parecendo um tanto radical, mas vamos a um exemplo: o 7 é um número sagrado, entre outras coisas, porque representa as 7 entradas do espírito: 2 olhos, 2 narinas, 2 ouvidos e 1 boca. Logo, o que entra por uma dessas portas, atinge diretamente o espírito. Seguindo: se pergunto “O que você gosta de comer?”, alguns até podem responder: “Como de tudo, exceto isso, aquilo e aquele outro”. O que demonstra algum tipo de filtro, porque ao se comer realmente de tudo, você pode comer algo que não lhe faça bem. É preciso ser mais claro?

Agora, quando se diz: “Leio de tudo...”, muitas vezes alimentamos o espírito com o que não se deve, indo de receitas da Dona Benta à Bíblia Satânica. Voltamos ao princípio: “Não ler, mas escolher”.
Faça a si mesmo essa pergunta: “Se não como porcaria, porque leio porcaria?” Um estudo teórico com qualidade, pode ser fonte de profundas reflexões e conclusões, quase tão profundas e válidas como pelo processo prático.

 Às vezes nos deparamos com teorias fantásticas, mas sem aplicabilidade nenhuma. Dê preferência a teorias que você mesmo possa verificar de forma prática.

As Anotações 
“Lectionem sine calamo temporis perditionem puta” 
“Leitura sem caneta reputa perda de tempo”

Tudo deve ser anotado. Se algo chamou sua atenção ou não ficou muito claro, anote. Se foi importante, será uma ótima referência futura. Se ficaram dúvidas, podem ser esclarecidas mais tarde.

O que deve ser anotado?
- Resumos das idéias mais importantes ou úteis
- Frases expressivas, literalmente e com precisão
- Idéias pessoais suscitadas pela leitura.

Como deve ser anotado?
- use os 4 c´s: curtas, claras, corretas, completas.
Essas regras baseiam-se exclusivamente num estudo teórico, baseado em material escrito. Para outros métodos, deve-se adequar essas regras. O estudo teórico da Magia é a base para uma boa prática. É comum ver pessoas que menosprezam o estudo teórico como se essa classe de estudante fosse possuidora de alguma deformidade espiritual. Tentamos aqui explicar os métodos do estudo teórico e não criticá-lo.

Memorização 
A interpretação simbólica se dá pelos símbolos que são elementos criados pelo homem para expressar algo superior a ele mesmo, aquilo que pertence à ordem transcendental. Porém, aquele que baseia seu estudo apenas pelo estudo dos mitos e símbolos, afasta-se da verdade.

A psicologia e a psicanálise limitaram os símbolos tradicionais como expressões do inconsciente ou do subconsciente, entendendo-se subconsciente como o conjunto dos prolongamentos do inconsciente. Atribuir símbolos tradicionais ao subconsciente é demonstrar a falta de conhecimento da estrutura da mente humana. O supraconsciente é o contato direto com aquilo que denominamos por tradição. Já o subconsciente é o reflexo “macaqueado” do supraconsciente, uma vez que não há aí uma compreensão desses símbolos. Para explicar da melhor forma possível essa distinção entre o supraconsciente e o subconsciente iremos usar o mito egípcio de Thoth-Hermes que sempre era acompanhado de seu babuíno.

Segundo o mito egípcio, o deus Thoth-Hermes era acompanhado por um babuíno, que fazia o contato entre a divindade e o homem. Thoth era o juiz dos deuses, o inventor da escrita e da magia. O deus representava o contato humano-divindade no seu aspecto mais amplo. Já o babuíno cumpria uma função luciferiana de fazer com que o homem perdesse ou esquecesse de sua origem divina. 

Explicamos: Na lenda que nos remete à invenção do Tarot e da Escrita (essa lenda justifica ambas criações), diz-se que “os deuses estavam muito preocupados naqueles tempos, pois o homem não lembrava mais qual era a sua origem. Não lembrava mais do seu período celeste, enquanto o tempo e o mundo ainda não existiam como se conhece hoje. Logo, os deuses reuniram-se, buscando uma solução para esse problema, quando o deus Thoth sugeriu que, uma vez que o ser humano esquece de tudo, mas não esquece do próprio vício ou de cometer erros, que então se preservasse essa sabedoria em um vício.

A idéia teve aceitação geral e então os deuses criaram um jogo de lâminas em que toda sabedoria estava contida, preservada. Por elas passariam milhares de olhos que ignorariam seu real significado, mas em compensação, abririam-se essas para aquele que estivesse de posse da sabedoria necessária para conhecer seu significado. Como está escrito na Bíblia: “Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, que veja e que ouça...”.  Assim, nascia o Tarot. Todo o simbolismo mágico de origem celeste, preservado em um maço de 78 lâminas, que traz em si mesmo, a semente do mortal e do imortal, da virtude e do vício. Esse é o Tarot.”

Vamos ao que interessa. Segundo alguns estudiosos do oculto a grande obra luciferiana seria condenar o homem ao esquecimento de sua origem divina. Thoth-Hermes representava o contato direto do homem com a divindade, e o babuíno cumpria a função do esquecimento dessa mesma divindade. Pelos relatos conhecidos, muitas vezes o deus não se comunicava diretamente com o homem, e para isso usava o babuíno, que ao transmitir a mensagem fazia de forma distorcida, no intuito de confundir o homem. Usando essa relação mitológica podemos explicar o funcionamento do supraconsciente e do subconsciente. Quando falamos de simbolismo e de magia, nos referimos ao supraconsciente, que seria esse contato com a divindade, de natureza solar. O que os psicólogos em geral definem como subconsciente refere-se à natureza lunar do babuíno de apenas repetir algo sem julgar seu significado.

Para se chegar à compreensão completa de um símbolo (se é que isso é possível) é necessário que o estudante possua determinadas qualidades sem as quais ele jamais poderá compreender a profundidade de seu significado. O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.

A primeira é a simpatia. Não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão. Entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”

A Magia Prática
A Magia prática é talvez o meio mais difícil de se estudar magia, pois ele não exclui o estudo teórico, mas inclui o mesmo na sua razão de ser. A Magia prática pura, atualmente é extremamente rara e muito difícil de ser encontrada. Sua compreensão baseia-se numa visão mágica do mundo. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, não é uma visão anímica do mundo, como poderia definir Freud, mas a compreensão que o universo como um todo pulsa e transpira vida, mesmo na morte. Os magos antigos tentaram explicar essa percepção através da criação de mitos, e enganam-se aqueles que nisso tem uma percepção rasa que eles significariam energias da natureza. Conceitos puros de um universo vivo são abstratos demais no entanto, sendo necessário vestí-los com uma roupagem mais facilmente aceita por nossa mente objetiva. Os mitos verdadeiros (aqueles que são fruto de uma percepção do espírito) são universais e aqui utilizamos um texto do Ir. Marcelo Motta, que acreditamos sintetizar aquilo que é necessário saber sobre o estudo dos símbolos aplicáveis em qualquer época ou nacionalidade, transcendendo portanto o tempo e o espaço.

"Um grande número de pessoas confunde esse estudo dos símbolos com a prática mágica. Podemos exemplificar isso com a esmagadora maioria dos astrólogos da atualidade. Normalmente são estudiosos fascinados pelo autoconhecimento, tentando desvendar a alma por seus símbolos, mas nunca a viram de frente. Debruçados sobre livros com páginas amareladas pelo tempo, jamais olham para o céu. Muitos são capazes de olhar para o céu na tela de um computador, mas nunca ao ar livre, com medo de serem esmagados pelas estrelas. Aos estudiosos de astrologia que porventura se sentirem ofendidos pelo exposto acima, antes de condenarem o autor do ensaio, respondam a si mesmos:

a) Alguma vez já tentei observar o movimento das estrelas durante seu curso pela abóbada noturna e consegui identificar pelo menos um planeta?
b) Sou capaz de identificar as fases da lua sem recorrer a uma efeméride ou a um calendário?
c) Qual é o signo que ascende no horizonte exatamente neste momento? (Olhando para o horizonte sem qualquer instrumento).
d) Sou capaz de identificar a constelação do meu signo solar?
e) Quanto tempo passei no último ano olhando a dança dos astros?

A lista segue...

Se você respondeu negativamente a mais de uma pergunta, você é um astrólogo de gabinete, um teórico. Não vamos nos deixar enganar e dizer que a teoria não tem validade, porque tem. E muita. Veja o texto mais acima, de como estudar a teoria. O que devemos perceber é que muitas pessoas confundem a teoria com a prática. Isso deve ser mudado. Babuínos de Thoth, reverenciam o sol esquecendo-se de si mesmos. Qual é o ritmo de sua dança? Muitos se entregam aos braços de um deus morto que sequer pode abraçá-los. Morto como seus seguidores, pelos quais já não pode fazer mais nada. Como então desenvolver a prática da Magia?

A prática da Magia pode ser entendida como a observação da natureza. Não quero que isso seja entendido como é atualmente, que a magia da natureza é sair por aí abraçando árvores e pisando descalço na grama. O processo todo demanda num longo processo de observação das coisas da natureza:

- Plantas - Suas cores, seu crescimento, a energia que delas emana, etc.
- Astros - As estrelas, planetas, seu movimento e sua influência.
- Animais - Reprodução, crescimento, grupos, etc.

 Enfim, a magia é o conhecimento do universo que nos rodeia."

Se a Prática da Magia é o conhecimento da natureza, qual a necessidade dos rituais? Os rituais existem devido ao esquecimento das coisas divinas conforme descrito acima. Os rituais são fórmulas dramatizadas que tem como objetivo demonstrar um conhecimento de determinada natureza. O ritual em si, não tenta falar direto ao consciente, mas diretamente ao espírito ou supraconsciente. É muito comum aos rituais irem do sublime ao absurdo num piscar de olhos. Isso acontece porque o ritual precisa burlar as armadilhas do consciente e da razão para atingir diretamente o espírito. Qual a necessidade de burlar o racional? A mente racional bloqueia diretamente todas as manifestações do espírito, e no caso do estudo mágico este é exatamente o objetivo, contatar o espírito diretamente. Quanto mais próximo de uma verdade está um ritual, mais eficaz ele será. Não importa aqui a sofisticação ou simplicidade, desde que ele esteja próximo da verdade que deseja representar. Os rituais que se aproximam da natureza ou feitos ao ar livre, normalmente têm uma eficácia muito grande. Mas, cuidado. Ficar dançando em volta de um caldeirão só traz como resultado tontura. Hoje em dia o que não faltam são pseudo xamãs e pseudo druidas, que na verdade são um arremedo dos originais. É preciso muito cuidado antes de se unir a um grupo desses.

Conclusão

A finalidade da Magia é pessoal, única e exclusiva pra cada ser. Conforme foi dito no início do texto, ele não é definitivo nem tampouco verdadeiro, mas serve como uma lâmpada guia na escuridão que marca o caminho das Ciências Ocultas. Não pretendemos dizer que esta ou aquela organização ou pessoa seja o “verdadeiro” mestre, mas auxiliar o estudante na tentativa de encontrar um grupo onde possa realmente se desenvolver sem ter que se preocupar onde estão levando sua alma. O melhor guia na Magia Teórica e na Magia Prática é o bom-senso.

Khabs Am Pekht