HERMETISMO

FILOSOFIA E PRÁTICA DE MAGIA. ESPAÇO PARA REFLEXÕES SOBRE O ATUAL ESTÁGIO PERCEPTIVO DA HUMANIDADE.

domingo, 5 de junho de 2016

DOGMÁTICO

O termo surgiu a partir do grego "dogmatikós", que significa literalmente "aquele que o que pensa é verdade".



O que é Dogmático:

Dogmático é um adjetivo que qualifica alguém ou algo como seguidor de um dogmadogmatismo. Ou seja, um indivíduo que aceita determinada coisa como verdade absoluta e não abre espaço para discussões
A palavra dogmático é utilizada para caracterizar alguém que consegue demonstrar algo de uma maneira autoritária; um sujeito dogmático. Os indivíduos dogmáticos, neste caso os que se incluem na doutrina do dogmatismo, acreditam que a verdade absoluta e indiscutível é possível de ser alcançada pelo homem, através da filosofia ou religião. As pessoas ou ideias dogmáticas estão principalmente presentes dentro desses dois campos: a filosofia e a religião. Na filosofia, o dogmático crê na contestação das verdades ditas como absolutas. Platão e Aristóteles são alguns exemplos de filósofos dogmáticos. Já na religião, o dogmático é aquele que acredita piamente nas crenças estabelecidas pelas escrituras sagradas de sua doutrina. A igreja católica, o islamismo e o judaísmo são alguns exemplos de religiões que possuem fortes dogmas. 
O termo surgiu a partir do grego dogmatikós, que significa literalmente "aquele que o que pensa é verdade".

Dogmático e Zetético

Enquanto que os conceitos dogmáticos determinam algo como verdade absoluta e indiscutível, considerando o homem como capaz de responder a todas as questões do mundo, o pensamento zetético parte do principio das experimentações. 
zetética é formada por um campo de investigação, duvidando e examinando várias vezes as diversas opiniões, que até não serem comprovadas serem verdades (com conceitos matemáticos e filosóficos), são consideradas apenas proposições.

O que é Dogmatismo:

Dogmatismo é a tendência de um indivíduo, de afirmar ou crer em algo como verdadeiro e indiscutível, é um termo muito utilizado pela religião e pela filosofia. O dogmatismo ocorre quando uma pessoa considera uma verdade absoluta e indiscutível, o que é muito debatido nas religiões.
Dogmatismo é quando são ditas verdades que não foram revisadas ou criticadas, que a sociedade simplesmente tornou-a verdade absoluta. É uma atitude dos indivíduos de crer na existência de algo sem ter dúvidas, o que ocorre desde a antiguidade, porém muitos filósofos, como Platão e Aristóteles, se recusavam a crer em alguns fatos estabelecidos e ditos como verdade.
Na religião, o dogmatismo acontece com a revelação de Deus, através de diversos dogmas. A Igreja Católica tornou os dogmas como definitivos e imutáveis, onde ninguém questiona a veracidade da existência de Deus, através de dogmas como, a santíssima trindade, o sacrifício de Jesus, a ressurreição de Jesus, e vários outros.
O dogmatismo pode ser entendido em três sentidos:
  1. Como parte do realismo, isto é, uma atitude ingênua que admite a possibilidade de conhecer as coisas em toda a sua verdade e também a efetividade deste conhecimento na utilização diária e direta com as coisas.
  2. Como confiança absoluta numa certa fonte de conhecimento (ou suposto conhecimento), sendo que essa fonte na maior parte das vezes é a razão.
  3. Como uma submissão total a determinados valores ou à autoridade que os aplica ou anuncia. Este sentido comporta os dois primeiros abordados, porque é um comportamento adotado graças ao problema da possibilidade do conhecimento.

Dogmatismo filosófico

O dogmatismo filosófico é a contestação do ceticismo, é quando as verdades são questionadas, para fazer com que os indivíduos não confiem e nem se tornem submissos perante as verdades estabelecidas. O dogmatismo filosófico pode ser compreendido como a possibilidade de conhecer a verdade, a confiança nesse conhecimento e a submissão a essa verdade sem questioná-la. Alguns dos filósofos dogmáticos mais conhecidos são Platão, Aristóteles e Parmênides.
Em termos filosóficos, a palavra dogmatismo inicialmente significava oposição, visto que era uma oposição filosófica, uma coisa referente aos princípios. Por esse motivo, a palavra "dogmático" significava "relativo a uma doutrina" ou "fundado em princípios".

Dogmatismo crítico e ingênuo

O dogmatismo ingênuo é referente a alguém que acredita completamente nas possibilidades do nosso conhecimento, onde vemos o mundo tal como ele é; por outro lado, o dogmatismo crítico acredita na nossa capacidade de conhecer a verdade através de um esforço em conjunto dos sentidos e da inteligência, através de uma abordagem metódica, racional e científica.

domingo, 29 de maio de 2016

DIÁRIO MÁGICO


Como se Usa o Diário

por Frater Goya

Pretendo explanar mais claramente a finalidade do Diário Mágico e a correta forma de fazer anotações. Muitas dúvidas surgem no estudante do que anotar, como anotar e da importância do Diário no estudo do Oculto. Todo grupo que se preza deve exigir do estudante a manutenção de um diário, onde serão anotadas todas suas experiências pessoais com a Magia. Esse diário é de uso exclusivo do estudante, embora possa ser examinado pelo seu tutor ou chefe do grupo quando necessário. Aconselha-se anotar no diário a data, a hora, o local, e as posições planetárias do Sol da Lua e o dia da semana, para futura referência. 
O Que Anotar? Tudo é importante. Seja um pensamento, as práticas, um sonho, uma queixa, um desejo, tudo é mportante e deve ser anotado com o maior número de detalhes possível. O
diário deve ser um retrato fiel da anotação a que se refere. No diário não se anotam apenas sonhos, mas toda e qualquer atividade mágica (meditações, pentagramas, rituais, etc.). Essas anotações formarão seu Grimório. As Anotações “Lectionem sine calamo temporis perditionem puta” “Leitura sem caneta reputa perda de tempo” Tudo deve ser anotado. Se algo chamou sua atenção ou não ficou muito claro, anote. Se foi importante, será uma ótima referência futura. Se ficaram dúvidas, podem ser esclarecidas mais tarde. 

O que deve ser anotado?
- Resumos das idéias mais importantes ou úteis
- Frases expressivas, literalmente e com precisão
- Idéias pessoais suscitadas pela leitura.

Como deve ser anotado?
- use os 4 c´s: curtas, claras, corretas, completas.
Essas regras baseiam-se exclusivamente num estudo teórico, baseado em material escrito. Para outros métodos, deve-se adequar essas regras. O Diário não é uma questão de vontade: como o estudante espera validar quaisquer de suas práticas, sendo que o método usado para validar a magia é empírico, sem qualquer anotação que comprove as mudanças ou que forneça dados consistentes sobre sua evolução?

Como deve ser o Diário
O Diário deve ser anotado com cuidado, num caderno especialmente preparado para isso. Uma das opções mais práticas para um Diário é usar um caderno do tipo fichário, com folhas soltas que podem facilmente ser mudadas de posição para se incluir algo entre elas, como uma gravura, por exemplo. Outra opção pode ser a utilização de um Caderno Ata com folhas numeradas.

Leia-se abaixo uma descrição que Crowley faz do Diário em Magia:
“...A caligrafia do Livro deve ser firme, clara e bela. Na fumaça do incenso é difícil ler os conjuros. E enquanto tenta ler as palavras por entre a fumaça, ele desaparecerá, e terás de escrever aquela terrível palavra: Fracasso. Mas não existe nem uma só folha do livro na qual não apareça esta palavra; mas enquanto é seguida por uma nova afirmação, ainda nem tudo está perdido, já que desta maneira no Livro a palavra Fracasso perde toda a sua importância, da mesma maneira que a palavra Êxito não deve ser empregada jamais, porque esta é a última palavra que deve-se escrever no livro, e é seguida por um ponto. Este ponto não se deve escrever em nenhum outro lugar do Livro; porque o escrever neste Livro segue eternamente; não há forma de encerrar este Diário até que haja alcançado a meta. Que cada página deste Livro esteja repleta de música, porque é um Livro de Encantamentos!” 

Dos Objetivos
O objetivo do diário é justamente ajudar a tornar uno aquilo que é destroçado e desorientado, justamente usando o acúmulo de conhecimento. Pode um estudante médio se auto-avaliar e saber desde quando deixou de ser desorientado para ser uno? Onde acaba o calor e começa o frio? A única referência válida para essa avaliação é o Diário por confrontação de idéias. O Diário com instrumento de passagem de Grau 

Abaixo segue um trecho do Liber E.

"Essas regras são as que adotamos de comum acordo entre o Conselho. Desrespeitar essas regras é cobrar dos outros aquilo que nós não fazemos. O Diário, a partir do Artifex é um dos itens principais da passagem de grau. Somente as anotações realizadas serão consideradas, seguindo o protocolo do Diário descrito anteriormente. Não serão aceitas afirmações verbais. Elas se espalham no vento. Sem diário, sem passagem de Grau. Isso vale para todos. Desde o Supremo Conselho até o Neófito, sem exceções. Desconsiderar esse trabalho é ignorar tudo aquilo que fazemos como estudiosos do oculto...

1. É absolutamente necessário que todos os experimentos sejam anotados em detalhe durante ou imediatamente após, a prática.
2. É muito importante anotar as condições físicas e mentais do experimentador ou experimentadores.
3. A hora e o local de todos os experimentos devem ser anotados; também o estado do tempo (sol, chuva, umidade, frio, secura, etc.), e em geral todas as condições que poderiam concebivelmente ter alguma influência sobre o resultado dos experimentos, quer como causas corroborantes (ou positivas) ou fontes de erro (ou negativas).
4. A A.’.A.’. não tomará notícia oficial de quaisquer experimentos que não sejam assim conscienciosamente anotados.
5. Não é necessário nesse estágio que declaremos por completo o propósito compreendido por aqueles que não se tornarem peritos nestas práticas elementares.
6. O experimentador é aconselhado a usar sua própria inteligência e iniciativa, e a não confiar em qualquer pessoa ou pessoas, por mais distintas ou sábias, mesmo entre nós mesmos.
7. O relatório dos experimentos deve ser redigido de maneira a tornar-se útil e informativo aos que o lerem.
8. O livro John St. John publicado no primeiro número do Equinócio é um exemplo deste tipo de relatório redigido por um estudante muito avançado. Não é tão simples quanto desejaríamos, mas exemplifica o método.
9. Quanto mais objetivo e ordeiro o relatório, tanto melhor. Porém, as emoções devem ser anotadas, sendo parte das condições do experimento."
                                                                                                                           Liber E vel Exercitiorum
Conclusão
Esperamos que essas explicações auxiliem a todos na sua busca individual, para que num futuro próximo possam usufruir dessas anotações como fonte de estudo e guia para um melhor desenvolvimento.

sábado, 28 de maio de 2016

A Tradição Hermética


De todas as tradições espirituais conhecidas no Ocidente, a de Hermes, o Três Vezes Grande, é a mais antiga. Exposta a alterações no decurso do tempo, a Tradição Hermética está arraigada no passado egípcio mais remoto. Lá sai a máscara de Hermes para revelar Thoth, o da cabeça de Íbis, o primeiro doador do conhecimento à humanidade. Este conhecimento ainda perdura entre nós, conservado ao longo dos séculos por uma comunidade invisível de adeptos pouco conhecidos ou desconhecidos.  


Um doador de conhecimento difere muito de um deus salvador sofredor como Osíris ou de uma deusa  mãe amante como Ísis. Cada aspecto da divindade apela a um tipo psico-espiritual diferente e cada um deles pode conduzir por diversas sendas a um único objetivo. O caminho que leva ao conhecimento possui um propósito duplo. Primeiro, ensinar técnicas e práticas para superar as limitações humanas, como o trauma da morte e, segundo, estudar a ordem cósmica e trabalhar dentro dela. Quando esses dois objetivos coincidem, temos a expressão do Hermetismo.
   


O mundo clássico temporalmente sentiu a atração pelo Egito e seus mistérios, ainda que fosse um Egito de glórias passadas. Pitágoras se encontrou entre os que visitaram a "Terra de Chem" para adquirir suas iniciações e incorporá-las à sua própria filosofia. No aspecto religioso, os cultos egípcios se introduziram   no mundo clássico com as conquistas de Alexandre, O Grande. O mesmo Alexandre se representava portando os chifres de carneiro de Amon, deus de Tebas. A Roma foi Ísis, cujo culto chegou a ser  um dos mais esplêndidos sob os Imperadores. Em Alexandria e outros centros de língua grega, surgiu  Serapis como um amistoso rival de Zeus, porém foi Thoth quem conseguiu mais com a mente filosófica.
   

No mito egípcio, Thoth é descrito  várias vezes como o espírito e inteligência do Criador; deus do saber e da cura, juiz das disputas celestiais e secretário dos deuses; o que pesa as almas dos mortos. Foi ele quem proferiu as palavras que teriam dividido os membros de Osiris. Thoth inventou números e mediu o tempo. Em sua abstração máxima, Thoth foi um deus de transições, do caos ao cosmos, das disputas ao entendimento, da morte ao renascer, das causas aos efeitos. Mais concretamente, era considerado  um deus dos encantamentos   e da astrologia, da medicina popular e mestre-instrutor em plantas e minerais.
    
Tudo isto vinha com Thoth ainda que tenha tomado uma aparência grega. O deus grego Hermes também havia sido um deus de transições: um assinalador  de fronteiras, um guia de almas ao Hades, mensageiro entre o Olimpo e a Terra, patrão de mercadores e ladrões. Quando se deu esse nome a Thoth, com o epíteto Trimesgisto ("Três Vezes Grande"), este assumiu a aparência de filósofo-rei, recriando para  a época helênica a memória daqueles homens divinos ou deuses encarnados  que haviam educado à raça humana. Há ressonâncias deles em toda as terras, como Zoroastro, Fo-hi, Tubalcaín, Quetzalcoátl, Dionísio, Orfeu, etc. Os escritos gregos atribuídos a Hermes Trimegisto constituem um cânon mais unificado que o das escrituras judaicas ou cristãs. São uma série de escritos doutrinais, inspirados em vários autores  com variações em torno de alguns grandes temas como: a bondade absoluta de Deus, que é de uma só vez Uno e Todo; a auto-revelação da Mente Divina no  Cosmos;  o Universo como uma emanação de seres dentro de uma ordem hierárquica; a constituição única do ser humano como microcosmo; o caminho até a regeneração e conhecimento direto de Deus. O  Corpus Hermeticum expunha novamente esses temas em benefício dos cosmopolitas de língua grega que viviam sob o Império Romano.
   
Ainda que Thoth tivesse seu aspecto popular, o Corpus Hermeticum possui seu aspecto apócrifo em que Hermes converte-se em senhor das ciências ocultas, o revelador da medicina astrológica e da magia simpática por meio da qual se atraem as influências do céu e se fixam os talismãs. Há um exemplo em Asclepius, quando descreve como os egípcios fundiam deuses em estátuas. Por último, mas não menos importante, a filosofia natural de Hermes e seu conhecimento do oculto se uniram para fazer dele o pai da alquimia , a arte egípcia da transmutação.
    
A imagem mítica central do hermetismo parece ser o primeiro tratado do  Corpus Hermeticum, "Poimandrés, o Pastor dos Homens". É a descrição da ascensão da alma depois da morte e da rendição de suas energias às sucessivas esferas dos sete planetas. Quando esta renuncia a todas elas, pode então atravessar a Oitava Esfera (As Estrelas Fixas) e unir-se  à companhia dos Benditos. Esta é uma versão cósmica da  ordália descrita no Livro dos Mortos dos egípcios (ou a "Saída à Luz do Dia"), onde uma alma deve atravessar os diversos corredores do Outro Mundo e ser pesada contra uma pluma em uma balança antes de poder ingressar no Paraíso de Osiris.

O aspecto filosófico do Hermetismo baseia-se na doutrina das correspondências. Na ascensão hermética, cada planeta corresponde a um determinado poder: Mercúrio à inteligência, Vênus ao desejo, Marte à ira, etc.  Assim, o ser humano é um microcosmo que contém, em pequena escala, as mesmas energias que o macrocosmo. Se imaginarmos a Terra como o centro do Universo, a alma adquiriu essas energias em sua viajem descendente, (ou interior) desde as regiões celestiais através das esferas planetárias e surge à vida terrena no ventre materno, plena de potencialidades e tendências que são delineadas em seu horóscopo natal. Durante a vida, a alma trabalha com essas potencialidades com  a esperança de refiná-las para que emerjam como virtudes. Se logra seu intento, ao abandonar o corpo na morte, é luz e, desembaraçada, está pronta para ascender a seu lugar de origem. Se, pelo contrário, as energias se condensaram  em vícios, então a viajem ascendente se tornará difícil e a alma pode permanecer presa na atmosfera da Terra, um tormento para ela mesma e uma retardatária para suas companheiras.

 Esta é a Doutrina Hermética, como se entende geralmente.   Entretanto, segundo as escolas   modernas da alquimia que liquidaram com a estrita confidencialidade  do passado, não resta nada da maioria das almas das pessoas que tenham sido filtradas pelas esferas planetárias, pouco depois da morte. A maioria delas seria extinta como personalidade, pouco depois da morte e talvez sejam recicladas como pessoas totalmente diferentes. Para colocar a questão de forma sensível, não existe garantia alguma acerca da imortalidade pessoal, apesar do que possam dizer em contrário as doutrinas consoladoras.


A ambição do adepto é sobreviver a esta dissolução geral e, se voltar a encarnar, fazê-lo apenas por uma eleição deliberada e não por uma amarração a um  processo natural, como o resto das pessoas. Para atravessar além dos limites dos cosmos (simbolizado pela esfera estelar) e entrar conscientemente em outra forma de vida, o adepto deve ter forjado durante sua vida  um "corpo radiante" como veículo de sua individualidade. Se diz que este processo é puramente científico e nada tem a ver com religião. As técnicas requeridas  são ensinadas em escolas muito restritas e de várias formas apropriadas para as diferentes culturas do Ocidente e do Oriente, Norte e Sul.

  
Conhecer esta corrente hiper-esotérica facilita a compreensão da alquimia. Na alquimia operativa ou física, o corpo radiante é forjado em paralelo com eventos químicos e sua consecução marca o surgimento da Pedra Filosofal.  Há evidentemente objetivos intermediários que se consideram dignos de serem alcançados: o assunto é extremamente complexo. Alternativamente, a alquimia pode ser totalmente interna, consistindo em meditações, exercícios de respiração, magia sexual, etc.

Pelo fato do mundo físico estar imerso em influências celestiais, é um lugar de beleza e maravilha. A Natureza é um livro onde se pode ler a sabedoria da mente Divina. Recordemos que a Thoth se relacionava todo o conhecimento útil: as artes e ciências que melhoram a qualidade de vida, como a música, as matemáticas e a escrita. Obviamente, a alquimia mesmo se iniciou com a tecnologia dos metais. Quando a mera existência animal se eleva devido às artes e ciências e as pessoas se movem conscientes da mente Divina através das obras da Natureza é que as dádivas de Thoth estão gerando frutos.

Depois do Império Romano as doutrinas do Corpus Hermeticum expandiram-se em direção ao Hermetismo, termo mais amplo que abrange muito da tradição esotérica do Ocidente. As três religiões abraâmicas encontraram um espaço para ele. Entrou no Islã graças aos saberes de Harran (na Turquia, próximo à fronteira com a Síria), centro da antiga indústria de cobre e de uma seita que mesclou a  adoração da estrelas com o neopitagorismo, neoplatonismo e a alquimia prática. Seus patronos, Hermes e Agathodaimon, transformaram-se nos profetas muçulmanos Idris(=Enoque) e Seth. Por mais de um século, Harran também foi a sede de uma escola de tradutores que se especializou na matemática e astronomia grega, transmitindo assim muito da tradição  pitagórica ao mundo muçulmano. No Séc. X, a Irmandade da Pureza de Basra (Iraque), compilou uma enciclopédia  de todas as artes e ciências, incluindo a teurgia e a magia, a qual foi estudada pelos drusos, pela seita dos asesinos e pela maioria das escolas sufis. Desta forma o Hermetismo  passou ao verdadeiro coração do esoterismo islâmico.

No judaísmo, a influência  hermética  surgiu na Cabala. O breve e fundamental texto cabalístico  Sepher Yetsirah (o "Livro da Formacão", Séc.  III d. C.) expõe uma cosmologia baseada na doutrina das correspondências, especialmente a dos planetas setenários, dias da semana, aberturas da cabeça, etc, e do dodecanato do zodíaco, as direções do espaço, dos meses, órgãos do corpo, etc. Descreve um cosmos não separado entre o  bem e o mal, mas suspenso na polaridade por energias positivas e negativas. O método de salvação se dá por meio da tomada de consciência do Uno como microcosmos, sentando o "Rei em seu Trono"  (a Presença Divina ) no centro da vida. De novo, temos uma doutrina que afirma a Natureza e Corpo e está dedicada à realização do macrocosmo no microcosmo. A ideia esotérica de Israel é também uma ideia hermética: a de que os judeus estão chamados a dar testemunho da ordem divina na Terra. Em  igual ao Hermetismo, a Terra, incluindo o corpo humano, está plena de influências celestes, motivo pelo qual a forma de vida judaica está projetada para assegurar que toda ação congregue um significado espiritual.
    
Em Bizâncio, o Corpus Hermeticum foi preservado pela escola de Pselos sob a bandeira do neoplatonismo e assim passou à Itália ganhando um novo ímpeto. A tradução latina de  Marsilio Ficino foi apresentada a Cosme de Medici en 1463 e no século e meio seguinte marcou o mundo intelectual. A ideia de que Deus havia falado não apenas aos judeus mas também aos pagãos conduziu, em círculos seletos, à renovação de um sentido religioso universal, como o que existiu pela última vez sob o Império Romano. O Hermetismo serviu   como campo neutro tanto a protestantes quanto a católicos. O Hermetismo, ou a busca da alquimia e das outras ciências ocultas,  às quais ele provê o suporte intelectual, floresceu como nunca o fez antes.
Por ser essencialmente um ensino cosmológico e prático, em lugar de uma teologia, o Hermetismo pode coexistir com quaisquer das religiões abraâmicas. Seu antecedente histórico, contrário ao das anteriores, está livre de intolerância e derramamento de sangue. A forma de vida hermética, que é ciência, contemplação e auto refinamento não entra em conflito com a fé ou as práticas religiosas.  Por estas razões, o terreno hermético é um lugar de confluência ideal para os cristãos, judeus, muçulmanos e para aqueles de outras religiões  ou de nenhuma. Oferece uma análise da condição humana dentro do cosmos e uma variedade de métodos para fazer o melhor uso desta condição.

A Maçonaria tem sido uma criação bastante duradoura da Tradição Hermética no Ocidente, levando-a através da era do ceticismo e do cientificismo (positivismo de Comte). O simbolismo maçônico é totalmente hermético, ainda que não seja totalmente egípcio. A imagem do Grande Arquiteto do Universo formando aos homens como pedras em estado bruto a serem lapidadas até serem blocos perfeitos do Templo Cósmico remonta-se ao Demiurgos  de Platão (não confundí-lo com o enganoso Demiurgo do Gnosticismo). As etapas de iniciação estão, como os passos da ascensão hermética, plenas de simbolismo planetário. A regra que evita toda discussão religiosa na Loja elimina um dos principais obstáculos para a irmanação dos homens: a discórdia sectária. 

videoNa atualidade, muitas religiões ocupam-se de temas verdadeiramente não-herméticos. De certa forma,  isto tem valido para a Tradição Hermética que agora não tem mais porque ficar atrelada a outras instituições e pode erigir a própria igreja, desenvolver o seu lado mais esotérico. Um repasse na história confirma o diagnóstico. O Hermetismo do Renascimento esperava restaurar a paz ao mundo cristão e a sensatez da humanidade em guerra, o movimento atual vai além do apoio ecumênico, pretende dar identidade à sua Igreja, filosófica não dogmática. Como alquimistas que acreditam que matéria pode se transformar em ouro, dedicam-se à transformação pessoal e na realização do potencial latente de cada um. Em templos herméticos as ciências ocultas florescem nas suas formas mais superficiais nos sistemas de adivinhação (Tarot, Runas, I Ching), a Astrologia, a Ciência das Plantas (a medicina das ervas) e uso dos Cristais.  Assim como Paracelso percorreu a Europa conversando com lenhadores e mulheres sábias, os hermetistas buscam e valorizam a sabedoria dos indígenas. 

Ir Edson Monteiro

A Tábua de Esmeralda

É à luz dessa ciência dos símbolos que convém notadamente interpretar a célebre Tábua de Esmeralda, síntese da Ciência Iniciática estabelecida por Hermes Trismegisto. O texto, como parece, foi gravado sobre uma placa de metal precioso enriquecida de esmeraldas (outros autores dizem que sobre uma única esmeralda).

Transcreveremos esse texto, com um brevíssimo comentário entre parênteses, notando que ele nos faz percorrer um périplo que vai da trindade humana (corpo, alma, espírito), a uma trindade cósmica (mundo natural, mundo humano, mundo divino) para terminar na trindade divina (Espírito, Essência, Energia-Vida).

 Eis esse texto, do qual não se costuma citar mais do que os dois primeiros parágrafos:

 · I - “Isto é verdade, sem mentira, muito verdadeiro.
 (A verdade nos três mundos.)

 · II - “O que está embaixo é como o que está em cima,
 (Lei da analogia, lei dos sinais de apoio.)
 “e o que está em cima é como o que está em baixo,
 (Lei da polaridade, da imantação.)
 “para fazer o milagre de uma única coisa.  
 (Lei do Ternário e de série, lei das correspondências.)

 · III - “E como todas as coisas vieram e vêm do Um,
 (Lei da unidade e da criação divinas, lei do Número.)
 “assim todas as coisas nasceram dessa coisa única, por adaptação. 
(Lei da adaptação.)

 · IV - “O Sol é o seu pai; a Lua, sua mãe; o vento carregou-o no seu ventre; a terra é a sua nutris.
 Os quatro elementos: Fogo (Sol), Água (a Lua, elemento úmido), Ar (o vento); Terra.

 · V - “Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, docemente, com grande indústria.
 (Arcano da salvação; separação do espírito (sutil) e da matéria (espesso); espiritualização.)
 “Ele sobe da terra para o céu, e de novo desce à terra, e recebe a força das coisas superiores e inferiores.
 (Leis da involução e da evolução.)
 “Terás, por esse meio, toda a glória do número e toda escuridão se afastará de ti."

 · VI - “E a força forte de toda força.
 (Lei do amor e do sacrifício.)
 “Porque ela vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida.
 (E pela lei do Amor que o Espírito move o universo.)

 · VII - “Assim foi criado o mundo.
 (Lei da realização. Amor e Sacrifício criam as obras duráveis)

 · VIII.”Disso sairão inúmeras adaptações, cujo meio está aqui.

· IX - “Por isso eu fui chamado de Hermes Trismegisto, possuindo as três partes da filosofia do mundo.
 (Conhecimento absoluto dos três planos do universo: divino, astral, físico.)
 “O que eu disse da operação do Sol está realizado e aperfeiçoado.”


Extraído do livro Os Talismãs de Jean-Pierre Bayard

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A FINALIDADE DO APRENDIZADO DA MAGIA

por Frater Goya

Vamos discorrer sobre a finalidade da magia, e nos concentrar em explicar como funciona o processo de aprendizado individual do estudante mágico. Esse estudo individual é dividido em duas fases:

1) Aprendizagem: Assimilação e memorização de informações de base ou elementares da disciplina a ser estudada.
2) Pesquisa: a partir dos dados fundamentais de uma ciência, investigar os dados, criticá-los e criar novas propostas.

O Estudo fundamental da Magia consiste em: leituras, apontamentos e memorização. Mais importante que ler, é saber escolher um bom livro...

   Non pas lire, mais élire = não ler, mas escolher 

Leitura
É preciso ler com qualidade. Se formos atrás do que os leitores andam lendo, chegaremos à conclusão de que o ocultismo não deve ser realmente levado à sério. A falta de critério na escolha dos livros beira o absurdo. Quando é feita a fatídica pergunta: “O que você gosta de ler?” , a resposta quase sempre é um trágico: “leio de tudo um pouco”.

À primeira vista posso estar parecendo um tanto radical, mas vamos a um exemplo: o 7 é um número sagrado, entre outras coisas, porque representa as 7 entradas do espírito: 2 olhos, 2 narinas, 2 ouvidos e 1 boca. Logo, o que entra por uma dessas portas, atinge diretamente o espírito. Seguindo: se pergunto “O que você gosta de comer?”, alguns até podem responder: “Como de tudo, exceto isso, aquilo e aquele outro”. O que demonstra algum tipo de filtro, porque ao se comer realmente de tudo, você pode comer algo que não lhe faça bem. É preciso ser mais claro?

Agora, quando se diz: “Leio de tudo...”, muitas vezes alimentamos o espírito com o que não se deve, indo de receitas da Dona Benta à Bíblia Satânica. Voltamos ao princípio: “Não ler, mas escolher”.
Faça a si mesmo essa pergunta: “Se não como porcaria, porque leio porcaria?” Um estudo teórico com qualidade, pode ser fonte de profundas reflexões e conclusões, quase tão profundas e válidas como pelo processo prático.

 Às vezes nos deparamos com teorias fantásticas, mas sem aplicabilidade nenhuma. Dê preferência a teorias que você mesmo possa verificar de forma prática.

As Anotações 
“Lectionem sine calamo temporis perditionem puta” 
“Leitura sem caneta reputa perda de tempo”

Tudo deve ser anotado. Se algo chamou sua atenção ou não ficou muito claro, anote. Se foi importante, será uma ótima referência futura. Se ficaram dúvidas, podem ser esclarecidas mais tarde.

O que deve ser anotado?
- Resumos das idéias mais importantes ou úteis
- Frases expressivas, literalmente e com precisão
- Idéias pessoais suscitadas pela leitura.

Como deve ser anotado?
- use os 4 c´s: curtas, claras, corretas, completas.
Essas regras baseiam-se exclusivamente num estudo teórico, baseado em material escrito. Para outros métodos, deve-se adequar essas regras. O estudo teórico da Magia é a base para uma boa prática. É comum ver pessoas que menosprezam o estudo teórico como se essa classe de estudante fosse possuidora de alguma deformidade espiritual. Tentamos aqui explicar os métodos do estudo teórico e não criticá-lo.

Memorização 
A interpretação simbólica se dá pelos símbolos que são elementos criados pelo homem para expressar algo superior a ele mesmo, aquilo que pertence à ordem transcendental. Porém, aquele que baseia seu estudo apenas pelo estudo dos mitos e símbolos, afasta-se da verdade.

A psicologia e a psicanálise limitaram os símbolos tradicionais como expressões do inconsciente ou do subconsciente, entendendo-se subconsciente como o conjunto dos prolongamentos do inconsciente. Atribuir símbolos tradicionais ao subconsciente é demonstrar a falta de conhecimento da estrutura da mente humana. O supraconsciente é o contato direto com aquilo que denominamos por tradição. Já o subconsciente é o reflexo “macaqueado” do supraconsciente, uma vez que não há aí uma compreensão desses símbolos. Para explicar da melhor forma possível essa distinção entre o supraconsciente e o subconsciente iremos usar o mito egípcio de Thoth-Hermes que sempre era acompanhado de seu babuíno.

Segundo o mito egípcio, o deus Thoth-Hermes era acompanhado por um babuíno, que fazia o contato entre a divindade e o homem. Thoth era o juiz dos deuses, o inventor da escrita e da magia. O deus representava o contato humano-divindade no seu aspecto mais amplo. Já o babuíno cumpria uma função luciferiana de fazer com que o homem perdesse ou esquecesse de sua origem divina. 

Explicamos: Na lenda que nos remete à invenção do Tarot e da Escrita (essa lenda justifica ambas criações), diz-se que “os deuses estavam muito preocupados naqueles tempos, pois o homem não lembrava mais qual era a sua origem. Não lembrava mais do seu período celeste, enquanto o tempo e o mundo ainda não existiam como se conhece hoje. Logo, os deuses reuniram-se, buscando uma solução para esse problema, quando o deus Thoth sugeriu que, uma vez que o ser humano esquece de tudo, mas não esquece do próprio vício ou de cometer erros, que então se preservasse essa sabedoria em um vício.

A idéia teve aceitação geral e então os deuses criaram um jogo de lâminas em que toda sabedoria estava contida, preservada. Por elas passariam milhares de olhos que ignorariam seu real significado, mas em compensação, abririam-se essas para aquele que estivesse de posse da sabedoria necessária para conhecer seu significado. Como está escrito na Bíblia: “Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, que veja e que ouça...”.  Assim, nascia o Tarot. Todo o simbolismo mágico de origem celeste, preservado em um maço de 78 lâminas, que traz em si mesmo, a semente do mortal e do imortal, da virtude e do vício. Esse é o Tarot.”

Vamos ao que interessa. Segundo alguns estudiosos do oculto a grande obra luciferiana seria condenar o homem ao esquecimento de sua origem divina. Thoth-Hermes representava o contato direto do homem com a divindade, e o babuíno cumpria a função do esquecimento dessa mesma divindade. Pelos relatos conhecidos, muitas vezes o deus não se comunicava diretamente com o homem, e para isso usava o babuíno, que ao transmitir a mensagem fazia de forma distorcida, no intuito de confundir o homem. Usando essa relação mitológica podemos explicar o funcionamento do supraconsciente e do subconsciente. Quando falamos de simbolismo e de magia, nos referimos ao supraconsciente, que seria esse contato com a divindade, de natureza solar. O que os psicólogos em geral definem como subconsciente refere-se à natureza lunar do babuíno de apenas repetir algo sem julgar seu significado.

Para se chegar à compreensão completa de um símbolo (se é que isso é possível) é necessário que o estudante possua determinadas qualidades sem as quais ele jamais poderá compreender a profundidade de seu significado. O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.

A primeira é a simpatia. Não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão. Entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”

A Magia Prática
A Magia prática é talvez o meio mais difícil de se estudar magia, pois ele não exclui o estudo teórico, mas inclui o mesmo na sua razão de ser. A Magia prática pura, atualmente é extremamente rara e muito difícil de ser encontrada. Sua compreensão baseia-se numa visão mágica do mundo. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, não é uma visão anímica do mundo, como poderia definir Freud, mas a compreensão que o universo como um todo pulsa e transpira vida, mesmo na morte. Os magos antigos tentaram explicar essa percepção através da criação de mitos, e enganam-se aqueles que nisso tem uma percepção rasa que eles significariam energias da natureza. Conceitos puros de um universo vivo são abstratos demais no entanto, sendo necessário vestí-los com uma roupagem mais facilmente aceita por nossa mente objetiva. Os mitos verdadeiros (aqueles que são fruto de uma percepção do espírito) são universais e aqui utilizamos um texto do Ir. Marcelo Motta, que acreditamos sintetizar aquilo que é necessário saber sobre o estudo dos símbolos aplicáveis em qualquer época ou nacionalidade, transcendendo portanto o tempo e o espaço.

"Um grande número de pessoas confunde esse estudo dos símbolos com a prática mágica. Podemos exemplificar isso com a esmagadora maioria dos astrólogos da atualidade. Normalmente são estudiosos fascinados pelo autoconhecimento, tentando desvendar a alma por seus símbolos, mas nunca a viram de frente. Debruçados sobre livros com páginas amareladas pelo tempo, jamais olham para o céu. Muitos são capazes de olhar para o céu na tela de um computador, mas nunca ao ar livre, com medo de serem esmagados pelas estrelas. Aos estudiosos de astrologia que porventura se sentirem ofendidos pelo exposto acima, antes de condenarem o autor do ensaio, respondam a si mesmos:

a) Alguma vez já tentei observar o movimento das estrelas durante seu curso pela abóbada noturna e consegui identificar pelo menos um planeta?
b) Sou capaz de identificar as fases da lua sem recorrer a uma efeméride ou a um calendário?
c) Qual é o signo que ascende no horizonte exatamente neste momento? (Olhando para o horizonte sem qualquer instrumento).
d) Sou capaz de identificar a constelação do meu signo solar?
e) Quanto tempo passei no último ano olhando a dança dos astros?

A lista segue...

Se você respondeu negativamente a mais de uma pergunta, você é um astrólogo de gabinete, um teórico. Não vamos nos deixar enganar e dizer que a teoria não tem validade, porque tem. E muita. Veja o texto mais acima, de como estudar a teoria. O que devemos perceber é que muitas pessoas confundem a teoria com a prática. Isso deve ser mudado. Babuínos de Thoth, reverenciam o sol esquecendo-se de si mesmos. Qual é o ritmo de sua dança? Muitos se entregam aos braços de um deus morto que sequer pode abraçá-los. Morto como seus seguidores, pelos quais já não pode fazer mais nada. Como então desenvolver a prática da Magia?

A prática da Magia pode ser entendida como a observação da natureza. Não quero que isso seja entendido como é atualmente, que a magia da natureza é sair por aí abraçando árvores e pisando descalço na grama. O processo todo demanda num longo processo de observação das coisas da natureza:

- Plantas - Suas cores, seu crescimento, a energia que delas emana, etc.
- Astros - As estrelas, planetas, seu movimento e sua influência.
- Animais - Reprodução, crescimento, grupos, etc.

 Enfim, a magia é o conhecimento do universo que nos rodeia."

Se a Prática da Magia é o conhecimento da natureza, qual a necessidade dos rituais? Os rituais existem devido ao esquecimento das coisas divinas conforme descrito acima. Os rituais são fórmulas dramatizadas que tem como objetivo demonstrar um conhecimento de determinada natureza. O ritual em si, não tenta falar direto ao consciente, mas diretamente ao espírito ou supraconsciente. É muito comum aos rituais irem do sublime ao absurdo num piscar de olhos. Isso acontece porque o ritual precisa burlar as armadilhas do consciente e da razão para atingir diretamente o espírito. Qual a necessidade de burlar o racional? A mente racional bloqueia diretamente todas as manifestações do espírito, e no caso do estudo mágico este é exatamente o objetivo, contatar o espírito diretamente. Quanto mais próximo de uma verdade está um ritual, mais eficaz ele será. Não importa aqui a sofisticação ou simplicidade, desde que ele esteja próximo da verdade que deseja representar. Os rituais que se aproximam da natureza ou feitos ao ar livre, normalmente têm uma eficácia muito grande. Mas, cuidado. Ficar dançando em volta de um caldeirão só traz como resultado tontura. Hoje em dia o que não faltam são pseudo xamãs e pseudo druidas, que na verdade são um arremedo dos originais. É preciso muito cuidado antes de se unir a um grupo desses.

Conclusão

A finalidade da Magia é pessoal, única e exclusiva pra cada ser. Conforme foi dito no início do texto, ele não é definitivo nem tampouco verdadeiro, mas serve como uma lâmpada guia na escuridão que marca o caminho das Ciências Ocultas. Não pretendemos dizer que esta ou aquela organização ou pessoa seja o “verdadeiro” mestre, mas auxiliar o estudante na tentativa de encontrar um grupo onde possa realmente se desenvolver sem ter que se preocupar onde estão levando sua alma. O melhor guia na Magia Teórica e na Magia Prática é o bom-senso.

Khabs Am Pekht

quarta-feira, 20 de maio de 2015

ACASO x DETERMINISMO

Analise esta reflexão!


Tudo que observamos e que se desenvolve encontra-se em evolução, não nos termos postos por Darwin onde o acaso ocorre como possibilidade de sobrevivência, mas uma evolução onde nada é por acaso. Vivemos num cosmos onde tudo é organizado e de cuja organização depende o fluxo normal para tudo. Mesmo a lei das probabilidades comprova a existência de uma regra para o acaso, visto que todas as casualidades se equilibram ao longo do tempo. Devemos decidir se aceitamos um cosmos sujeito a um conjunto de leis ou se aceitamos o caos regido pelo acaso, pois as duas opções se antagonizam, e não pode haver um cosmos sujeito ao acaso. Já que somos dotados de um conhecimento baseado na observação e na experiência, temos elementos suficientes para aceitar o cosmos e abolir o acaso de nosso raciocínio.

Tudo no universo e toda a criação seguem a lógica de evolução, e o homem, enquanto parte desse todo, deve obedecer às leis desse desenvolvimento, já que o todo só pode evoluir quando cada uma de suas partes integrantes o fizer. A tarefa do homem é, portanto, evoluir. Mas a evolução não acontece por si só, ela é o resultado de um conflito energético, é o resultado de um processo de aprendizado. Para aprender, o homem precisa de um problema que permita tentar e errar, a fim de poder se aproximar de uma solução. Quando se resolve a questão e aprende-se a lidar com ela, aí a evolução se concretiza. Os problemas enfrentados são em verdade tarefas para se aprender, não algo negativo, mas subsídio para autoconhecimento, aperfeiçoamento e evolução.

O homem pode aprender a realidade da evolução baseada no cosmos de forma ativa ou passiva. A forma ativa ocorre quando enfrenta o problema com disposição e como um convite à compreensão, ao aprendizado, para atingir uma etapa seguinte da própria evolução. Ocorre que a minoria aprende dessa maneira. O comum é acumular e reprimir problemas ao invés de tentar solucioná-los. Aí se desenvolverá um desejo de realização inconsciente, que manipulará o consciente e o aprendizado se dará de forma passiva com aquilo que não se soube lidar ativamente. O aprendizado passivo está sempre ligado ao sofrimento que se nomina infortúnio, doença ou acidente. Nessas situações as pessoas praguejam, sentem-se injustiçadas e põe a culpa no acaso ou nos outros. Mas a culpa está em si, é sempre daquele que sofre, pois lhe faltou vontade, teve chance de escolher e fez escolhas piores, optou entre aprender ativamente ou passivamente.


domingo, 27 de abril de 2014

INSTRUÇÃO IX
Lei II - Doação
LEI DA DOAÇÃO
“O universo opera através de trocas dinâmicas...
dar e receber são diferentes aspectos do fluxo
da energia universal.

Em nossa própria capacidade de dar aquilo que
almejamos encontra-se a chave para atrair a abundância
do universo, fluxo da energia universal para nossa vida”.


Guardião do Solo Sagrado (*) – Irmãos: vamos ministrar a segunda instrução de Postulante de nossa Ordem; Guardião da Luz, qual é a segunda lei espiritual do sucesso?

Guardião da Luz – É a Lei da Doação. Essa lei poderia ser denominada Lei do dar e receber, porque o universo opera através de trocas dinâmicas. Nada é estático. Nosso corpo está em intercâmbio dinâmico e constante com o corpo do universo. Nossa mente está interagindo constantemente com a mente do cosmos. Nossa energia é expressão da energia cósmica.

Guardião do Solo Sagrado – Significa dizer que nossas vidas são a interação de todos os elementos que estruturam o universo?

Guardião da Luz – Sim, nossas vidas nada mais são do que a interação harmoniosa de todos os elementos e de todas as forças que estruturam o campo da existência. Essa interação harmoniosa opera pela Lei da Doação. Como o corpo e a mente humana estão em interação constante e dinâmica com o universo, qualquer interrupção nessa circulação de energia significa o mesmo que cessar o fluxo de sangue nos animais, cessar a circulação da seiva nos vegetais.

Guardião do Solo Sagrado – Esse fluxo explica a necessidade de dar e receber, de acordo com a segunda lei, Guardião dos Portais?

Guardião dos Portais – Sim, a troca, traduzida por dar e receber, mantém a saúde e a afluência de tudo que necessitamos circulando em nossas vidas. A palavra “afluência” significa correr para, convergir; tem o sentido de corrente abundante, de fartura, abundância de dinheiro e de saúde.

Guardião do Solo Sagrado – O dinheiro significa uma energia universal?

Guardião dos Portais – O dinheiro é na verdade um símbolo de energia vital que trocamos e da energia vital que utilizamos como conseqüência dos serviços que prestamos ao universo. Dinheiro é também chamado de “moeda corrente”, expressão que reflete o fluxo natural de energia. Corrente vem do Latin “currere” que significa correr, fluir. Se interrompermos a circulação de dinheiro, se nossa única intenção é segurar dinheiro e acumulá-lo, interrompemos sua circulação em nossa vida, uma vez que ele é energia vital. Para que essa energia continue voltando para nós, temos que mantê-la circulando. Como as águas de um rio, o dinheiro tem que fluir para não estagnar, para não sufocar essa energia vital. A circulação o mantém saudável e energizado.

Guardião do Solo Sagrado – Como o dinheiro, também a saúde, o amor, e todos os relacionamentos em nossa vida, dependem de dar para receber, Guardião do Tesouro?

Guardião do Tesouro – Da mesma forma. Todo relacionamento e todo bem que podemos desfrutar dependem de dar para receber. Dar engendra receber, e receber engendra dar. O que sobe tem de descer. O que sai tem de voltar. Na realidade, receber é o mesmo que dar, porque dar e receber são aspectos diferentes do mesmo fluxo da energia universal, e se interrompemos o fluxo de um ou do outro, há interferência na inteligência da natureza.

Guardião do Solo Sagrado – Entendemos então que não circular essas energias através da Lei da Doação significa não evoluir?

Guardião do Tesouro – Toda semente traz em si a promessa de muitas florestas. Mas a semente não pode ser guardada, pois ela precisa doar sua intrínseca capacidade de gerar ao solo fértil. Ao doar-se, seu fluxo vital invisível manifesta-se materialmente. Assim quanto mais damos, mais recebemos porque mantemos a abundância do universo circulando em nossas vidas.

Guardião do Solo Sagrado – Guardião dos Livros, para obtermos o que precisamos, o que buscamos, há necessidade da prática da doação?

Guardião dos Livros – De fato, e com intensa convicção. Tudo o que há de valioso na vida só se multiplica quando é dado. Aquilo que não se multiplica pela doação não tem valor, nem compensa ser recebido. Se, no ato de dar, você acha que está perdendo alguma coisa, aquele presente não foi realmente dado, não acrescentou nada a quem deu nem a quem recebeu. Se dermos de má vontade, não há energia por trás do nosso ato. O mais importante é a intenção que há por trás de dar e receber. A intenção deve ser a de provocar sempre alegria em quem dá e em quem recebe, porque a felicidade é sustentadora e provedora de vida. O retorno é diretamente proporcional ao volume doado, quando é feito de forma incondicional e sincera. Por esse motivo o ato de dar tem que ser prazeroso. A intenção por trás deste ato deve ser a do prazer de simplesmente dar. Só então a energia acumulada no ato de dar multiplica-se muitas vezes.

Guardião do Solo Sagrado – Como deveremos agir para aplicar a Lei da Doação?

Guardião dos Livros – Praticar a Lei da Doação é muito simples. Se quisermos alegria, devemos dar alegria aos outros. Se desejarmos amor, aprendamos a dar amor. Se procuramos atenção e apreço, aprendamos a dar atenção e apreço. Se quisermos bens materiais, ajudemos os outros a se tornarem ricos. A maneira mais fácil de obtermos o que desejamos é ajudar os outros a conseguirem o que querem. Este princípio se aplica igualmente a pessoas, empresas, sociedades e países. Se almejarmos sermos abençoados com todas as coisas boas da vida, devemos aprender a abençoar silenciosamente a todos com as coisas boas da vida.

Guardião do Solo Sagrado – Então o doar não se restringe a coisas materiais, Guardião dos Portais?

Guardião dos Portais – Realmente, doar é muito mais abrangente. A mera idéia de dar, de abençoar, de oferecer uma simples oração, tem o poder de afetar a vida dos outros. Isso acontece ao nosso corpo, em seu estado essencial, é um feixe de energia localizada e de informação num universo de energia e informação. Somos feixes de consciência localizada num universo consciente. A palavra “consciente” implica mais do que energia e informação; implica em energia e informação tão vivas quanto o pensamento. Por isso somos feixes de pensamentos num universo pensante. E o pensamento tem o poder de transformar.

Guardião do Solo Sagrado – Tem então nossa vida, e nossa alma, correspondência com universo?

Guardião dos Portais – Sim, como nos futuros estudos que faremos de Hermes o Trismegistro, a vida é a eterna dança da consciência expressando-se na troca dinâmica de impulsos inteligentes entre o microcosmo e o macrocosmo, entre o corpo humano e o corpo universal, entre a mente humana e a mente cósmica. Quando sabemos dar aquilo que procuramos, estamos ativando e coreografando a dança com movimentos energéticos e vitais que constituem a eterna pulsação da vida.

Guardião do Solo Sagrado – Guardião do Tesouro, qual então a melhor maneira de aplicarmos a Lei da Doação?

Guardião do Tesouro – A melhor forma de aplicá-la, de começar o processo de circulação de energia, é decidir que a qualquer momento vamos entrar em contato com outra pessoa dando a ela alguma coisa. Não é preciso que sejam coisas materiais; pode ser uma flor, um elogio, uma oração. Na verdade, as formas mais poderosas de dar são imateriais. As dádivas de carinho, atenção, afeto, apreço, amor são as mais preciosas e não custam nada. Quando encontramos alguém ofereçamos-lhe uma benção silenciosa, desejemos-lhe felicidade, contentamento, alegrias. Esses presentes silenciosos são poderosos. Nunca deixe de levar alguma coisa, por mais simples que seja, quando visitar alguém. Se não temos posse, se nada temos de material, podemos sempre ofertar uma flor, um cartão, levar um elogio e até uma oração. O importante é tomar a decisão de dar sempre, em todo lugar e a quem for. Enquanto damos, estamos recebendo. Quanto mais damos, mais cresce nossa confiança nos efeitos milagrosos desta Lei. Quanto mais recebemos, mais cresce nossa capacidade de dar.

Guardião do Solo Sagrado – Meus Irmãos, nossa verdadeira natureza é a da riqueza e abundância. Somos naturalmente ricos porque a natureza supre todas as nossas necessidades e sustenta todos os nossos desejos. Nada nos falta porque nossa natureza essencial é a potencialidade pura e das possibilidades infinitas. Devemos saber que já somos inerentemente ricos. Pouco importa quanto temos de dinheiro porque a fonte da riqueza é o campo da potencialidade pura, é a consciência que sabe como satisfazer qualquer nossa necessidade como alegria, amor, paz, harmonia e conhecimento. Se buscarmos antes essas coisas, não só para nós mesmos, mas para os outros também, tudo mais virá a nosso encontro espontaneamente. Esta é a Lei da Doação.

Guardião do Solo Sagrado (*) – Irmãos, devemos agradecer por estarmos juntos nesta oportunidade de iluminação, e cumprir nossa obrigação de assimilarmos esses ensinamentos e divulgá-los à humanidade!


TODOS – Amém!